Profissionais grávidas: empresas facilitam conciliação com o trabalho?

Segundo consultora, entre as 100 melhores empresas para trabalhar, apenas 20% têm ações voltadas à grávida

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SÃO PAULO – Depois de receber a notícia “você terá um bebê”, logo começa a pensar em como isso mudará a sua vida. Para as mulheres que trabalham, fica aquela insegurança em relação ao emprego: será que conseguirei dar conta das atividades propostas? De que forma a empresa pode me ajudar?

A realidade no Brasil para as mulheres que trabalham e engravidam é positiva, uma vez que elas têm segurança no emprego – o que significa que não podem ser mandadas embora -, mas também é bastante negativa, se analisadas as práticas realizadas pelas empresas. Poucas companhias oferecem programas de apoio durante a gestão e depois que o bebê nasce.

Para se ter uma idéia, entre as cem melhores empresas para trabalhar, cerca de 20% têm programas voltados para as profissionais grávidas ou com crianças recém-nascidas. “Normalmente, entre as cem melhores, existem alguns programas voltados para a gestante. No restante das empresas do País, fica ainda mais difícil”, explicou a consultora do Great Place to Work, Haline Aquino.

Exemplos escassos

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Um exemplo destes programas são as palestras de instrução, oferecidas a pais e mães. Isso significa que a mulher grávida pode trazer o pai da criança para acompanhar a apresentação, ou que o pai funcionário pode comparecer com a acompanhante.

Outras empresas vão além e se preocupam com a saúde da criança e da mãe: elas oferecem dieta diferenciada. “Um lanche da manhã ou da tarde”, citou a consultora.

De acordo com Haline, além destas práticas, algumas empresas costumam oferecer benefícios às mulheres que já tiveram bebê. Para as profissionais nestas condições, existem lactários, por exemplo, em que a profissional pode deixar o bebê para amamentação. Sem falar nas creches, que, em muitos casos, se localizam na própria empresa.

Quando a mulher está grávida, as ações estão mais ligadas, de acordo com Haline, a questões financeiras, ressaltando sempre que as iniciativas são poucas. Quando o bebê nasce, existe uma ajuda mais relacionada ao gerenciamento de tempo das mães, para que elas possam lidar com a criança e com o trabalho.

Flexibilidade

Em relação ao horário de trabalho, durante a gravidez, as empresas não costumam oferecer muita flexibilidade, mas nada que não possa ser conversado, pelo menos entre as melhores companhias para se trabalhar. “Tipicamente as melhores empresas são melhores porque sabem atender o profissional no momento que ele precisa”, explicou Haline.

Porém, isso é uma particularidade das melhores empresas, que tentam adotar práticas para atrair e reter os funcionários. “Mas tudo tem certo limite”, ressaltou a consultora. Isso significa que antes de fazer qualquer tipo de reivindicação o profissional deve analisar as condições da empresa em atendê-la.

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Se, durante a gestação, não é comum a adoção de práticas que permitam mais flexibilidade no horário de trabalho, depois do término do período de licença-maternidade, tudo fica mais fácil. Algumas mulheres podem fazer horário reduzido e outras contam até mesmo com home office.