Profissionais brasileiros são os mais preparados para enfrentar a crise

Para headhunter, temos capacidade de criar estratégias, negociar e levantar rapidamente após uma queda

SÃO PAULO – Já parou para pensar em quantas crises já enfrentamos desde a década de 70? “O Brasil já passou por diversas crises. Os executivos com seus 40 anos, por exemplo, enfrentaram pelo menos três crises internacionais”, explica o consultor da DBM e professor do Ibmec-SP, Aloisio Buoro.

E o que esse histórico significa? Aprendizado, experiência, flexibilidade, capacidade de enfrentar problemas. Com uma diferença: para Buoro, esta crise não está sendo tão forte quanto outras, pelo menos até este momento. “O brasileiro está acostumado com problemas de restrição do crédito e alta volatilidade do dólar”, garante ele.

A melhor escola

Com tantos problemas ao longo das histórias das empresas, os executivos adquiriram a capacidade de dar respostas rápidas em meio a turbulências.

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Não há escola melhor do que o Brasil, país que já atravessou por inúmeros períodos de alta inflação, bem como já teve inúmeras moedas: cruzeiro, cruzeiro novo, cruzado, cruzado real, cruzeiro real, para citar algumas.

“Lembro-me de que, há 15 anos, quando eu trabalhava no mercado financeiro e vivia essas crises, o Banco Central deu um prêmio ao executivo do ano. O vencedor disse que o prêmio na verdade era do legislador, que editava leis e mudava as regras do jogo constantemente, obrigando os profissionais a se virarem”, conta ele.

O executivo admirado

O executivo brasileiro é admirado mundo afora, afirma o headhunter e presidente da Junto Fast Recruitment, Ricardo Nogueira.

“Os brasileiros estão à frente das multinacionais aqui instaladas e isso não acontece lá fora. Além disso, quantos brasileiros já não foram expatriados para unidades de suas empresas no exterior? No Google, há brasileiros. Na Nasa, há brasileiros. Parece que temos um DNA diferenciado”.

Para Nogueira, uma das qualidades do brasileiro é a capacidade de entender e absorver outras culturas. “O brasileiro estuda muito os costumes dos povos dos outros países e tem jogo de cintura no trato com as pessoas. Ele aprende rápido”, opina.

Um dos sinais de que é um bônus e um ônus lidar com a economia brasileira – marcada pela moeda tida como fraca por economistas, de um país dependente de outros – é o fato de que ex-ministros da Fazenda e do Desenvolvimento tornam-se notáveis consultores, disputados por grandes empresas, de acordo com o headhunter.

“Já houve uma época em que a moeda brasileira mudava tanto que as pessoas eram obrigadas a fazer compras munidas de uma calculadora. Vivemos em um país acostumado a cair no buraco e se levantar rapidamente. Essa é a diferença. Outros povos demoram mais que a gente para se levantar. Sabemos negociar, criar estratégias, inovar”, finaliza Nogueira.