Crise

Profissionais acumulam funções e têm medo constante da demissão

Cerca de 32% dos candidatos entrevistados estão empregados e a maioria deles (35%) afirma que a empresa está estável, mas outros (33%) definem o momento atual como de retração

SÃO PAULO – Cerca de 56% dos profissionais empregados estão acumulando funções e atividades de outras pessoas, apontou um levantamento realizado pelo Vagas.com. Isso criou um cenário de pessimismo na empresa e deixando os funcionários com medo de perder o emprego, também concluiu o levantamento. Dos 2.690 candidatos consultados, 68% estão desempregados e possuem nível superior (58%).

“Para aqueles que conseguiram resistir ao corte e às demissões, há muita incerteza nesse momento. Quem está empregado acaba trabalhando sob pressão e com a desconfiança de que pode ser desligado a qualquer momento. Isto é ruim para o funcionário, que acaba produzindo menos, e também para a empresa, que pode ter uma equipe desmotivada e com baixa estima”, explicou Rafael Urbano, coordenador da pesquisa na VAGAS.com.

Os 32% dos candidatos restantes estão empregados e a maioria deles (35%) afirma que a empresa está estável, mas outros (33%) definem o momento atual como de retração.

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Corte de custos e pessoal
Cerca de 42% das empresas passam por retração e endividamento; 72% dos funcionários que trabalham nessas empresas informaram que houve corte de custos e metade confirmou que houve redução do quadro de funcionários.

“Em momentos de crise e adversidades, as empresas têm de recorrer a alternativas que viabilizem a continuidade de seus negócios, a sustentabilidade da operação. E isso pode significar o desligamento de pessoas, que muitas vezes é um processo difícil já que envolve relações humanas”, conta Urbano.

O clima nas empresas não é dos melhores: para metade dos questionados, as pessoas têm medo de perder o emprego; 27% mencionam ambiente de pessimismo.

Salários
Além dos 67% de funcionários que não receberam reajuste salarial no último ano, outros 54% acreditam não receber também.

Por isso, uma em cada três pessoas está em busca de uma segunda atividade remunerada para completar a renda. Trabalhos técnicos, vendas, serviços gerais/ajudantes, aulas/monitoria, consultoria, atendimento/atendente e freelancer são algumas das citadas.

“As pessoas não estão esperando ficar desempregadas para buscar uma outra ocupação, mesmo que temporária. É um movimento ativo e que mostra que o brasileiro precisa cada vez mais ser versátil e dinâmico para honrar seus compromissos e manter seu padrão de consumo”, analisa o coordenador.