Empreendedorismo

Por que não fazer como Gates e Jobs

Entenda porque os fundadores da Microsoft e Apple são exceções à regra e porque, apesar das falhas do sistema educacional, vale a pena estudar para empreender

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SÃO PAULO – Bill Gates e Steve Jobs: ambos abandonaram os estudos e se tornaram dois dos CEOs mais conhecidos do mundo. O exemplo dos fundadores da Microsoft e da Apple influencia universitários e empreendedores do mundo inteiro em vários aspectos, mas há quem defenda o contrário no que diz respeito aos estudos. Ou melhor, eles são exceções à regra de que o empreendedor não precisa se preparar para enfrentar o mercado.

De acordo com Marcelo Nakagawa, coordenador do Centro de Empreendedorismo do Insper-SP, apesar dos problemas que existem no ensino do empreendedorismo do Brasil, participar do ambiente acadêmico é uma experiência importante. “Quase 100% das iniciativas educacionais que temos aqui é de incentivo – nisso, as faculdades são boas. Mas o empreendedor que já tem uma empresa não vai encontrar o que ele precisa para continuar. Tem um buraco na educação brasileira em relação a isso”, expõe.

Para o professor, a saída é o empreendedor mapear seus problemas de gestão e procurar soluções pontuais. “Muitas vezes, montar grupos de discussão de negócios é muito mais efetivo para o empreendedor melhorar e continuar. Quando o grupo encontra algo sobre o qual todos desconhecem, procura um especialista no assunto. Assim, todos pensam em contratação de pessoas, marketing e gestão com pouco recurso”, acrescenta Nakagawa, que também vê o ensino especializado nas instituições nacionais muito focado em gestão de grandes empresas.

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“A lógica de um curso de gestão de negócios é diferenciar o mundo perfeito que se cria nas grandes empresas e o mundo em construção que é o do empreendedor.”

Desta forma, balancear a execução na ponta da operação e o aperfeiçoamento teórico, optando por grupos de discussão e participação em eventos de empreendedorismo, é uma forma de adquirir bagagem e testá-la em prática.

Formado em Economia e Publicidade “sem muito afinco”, como define, Lito Rodriguez, fundador da Dry Wash, trilhou um caminho semelhante: após 10 anos como empreendedor, percebeu que não possuía o conhecimento necessário de gestão e sentiu necessidade de retomar os estudos. Assim, encontrou na Endeavor uma forma aprender o que não tinha assimilado em sala de aula.

“Como eu não tinha mais tempo nem condições, não fiz outra faculdade, mas deveria ter feito. Procurei o estudo de maneira prática, em coisas pontuais. E isso valeu muito, foi importante, mas se eu tivesse parado um ano para me preparar e depois voltado com certeza eu teria crescido mais, com mais bagagem de gestão, marketing e estratégia”, reflete.

Depois de ser escolhido como Empreendedor Endeavor, Lito começou a frequentar mais fóruns, workshops e oficinas, trocando conhecimento e experiências com outros empreendedores. “Meu MBA foi na prática. Pode até ser que hoje eu tenha mais conhecimento do que muitas pessoas que fizeram um MBA formal. O problema é que quem fez MBA fez em um ano e gastou 100 mil dólares. Eu fiz em dez e gastei 5 milhões.”

De acordo com a pesquisa Empreendedorismo nas Universidades Brasileiras 2012, realizada pela Endeavor Brasil, mais da metade dos universitários brasileiros pensa em abrir uma empresa. No entanto, eles não se preparam adequadamente: apenas 38,8% dedicam seu tempo aos estudos de criação de negócios e 44,2% cursou alguma disciplina ligada a empreendedorismo.

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Na opinião de Thiago Feijão, idealizador da plataforma QMágico, que conecta brasileiros em um ambiente de aprendizado compartilhado online, os maiores desafios do empreendedor estão relacionados a encontrar uma maneira de aprender rápido. “Se você já sabe onde achar informações ou tem uma bagagem de conhecimento relevante, as coisas caminham mais rápido”, define.

Ele próprio optou pelo Bota pra Fazer, curso de criação de negócios de alto impacto aplicado pela Endeavor no Brasil. “A coisa mais importante é aprender com o erro dos outros. No caso do Bota pra Fazer, você enxerga cases de sucesso e, com isso, percebe que é possível criar o impossível”, garante o empreendedor.

Como afirma Lito, as chances de termos exemplos de Steve Jobs ou Bill Gates no Brasil são muito pequenas. “Casos como eles são exceção. As pessoas valorizam muito aqueles que conquistaram o mundo sem educação de primeira linha. Mas são pouquíssimos exemplos, dá para contar nos dedos. No geral, quem chegou lá é quem estudou e se aperfeiçoou. Você não pode parar, precisa se atualizar e estar sempre aprendendo, mesmo que não seja na sala de aula. Estar com pessoas melhores que você é o que te faz entender cada vez melhor o seu negócio”, conclui.