Políticas contra alta dos preços podem aumentar desigualdade

Presidente do Ipea afirma que governo deverá ter cuidado para não aumentar diferenças entre baixa e alta renda

SÃO PAULO – O governo deverá ser cuidadoso com a política que será adotada no combate à crescente alta dos preços, para não frear a tendência de distribuição de renda mais justa entre pobres e ricos. A afirmação é do presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), Marcio Pochmann.

Segundo Pochmann declarou à Agência Brasil, a política de combate à inflação deve levar em conta o perfil distributivo do Brasil. O presidente do Ipea ressalta que tanto a alta dos preços quanto as medidas para preveni-la podem influenciar o índice de Gini, que mede o intervalo entre a média salarial dos 10% mais pobres da população e a média dos 10% mais ricos.

Pochmann ainda afirma que uma política de combate à inflação que leve à desaceleração da economia pode ter impacto imediato no mercado de trabalho, reduzindo o nível de emprego e contendo salários. Além disso, os preços em alta reduzem o poder aquisitivo, principalmente dos mais pobres.

Diminuição da lacuna

PUBLICIDADE

O Ipea divulgou na segunda-feira (23) um estudo apontando que a desigualdade entre os rendimentos dos trabalhadores brasileiros caiu cerca de 7% entre o quarto trimestre de 2002 e o primeiro de 2008. Nesse mesmo período, houve também redução do índice de Gini de 0,54 para 0,50.

O índice de Gini vai de zero a um: quanto mais perto de um, maior desigualdade; quanto mais perto de zero, menor desigualdade.

Ainda conforme o estudo, a participação dos salários no PIB (Produto Interno Bruto) tem-se mantido estável desde 2004, quando houve recuperação da queda apresentada nos dois anos anteriores.