Poder de compra do trabalhador também deve ser protegido da crise

Para OIT, governos devem investir em políticas de proteção social e nas instituições do mercado de trabalho

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SÃO PAULO – De acordo com o Relatório Mundial sobre Salários 2008/2009, divulgado na última terça-feira (25) pela OIT (Organização Internacional do Trabalho), assim como o mercado financeiro, os trabalhadores assalariados também devem ser alvos de políticas de proteção contra os efeitos da crise financeira mundial.

A Organização entende que os governos devem investir em políticas de proteção social e nas instituições do mercado de trabalho, como o salário mínimo e a negociação coletiva, por categorias, a fim proteger o poder de compra do trabalhador.

“O salário não deve ser usado como uma variável de ajuste, é importante manter o poder aquisitivo dos assalariados e o crescimento dos salários em 2008”, disse a diretora da OIT Brasil, Laís Abramo, conforme publicado pela Agência Brasil.

Salários

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Ainda segundo a OIT, entre os anos de 2001 e 2007, o nível salarial médio dos trabalhadores cresceu muito pouco, menos de 2% na maior parte dos países. As maiores altas ficaram com algumas nações africanas e nórdicas. A América Latina e o Caribe, por sua vez, obtiveram o pior desempenho, de 0,3% ao ano.

O incremento no nível salarial pode ser vinculado às taxas de crescimento da economia, medidas por meio do PIB (Produto Interno Bruto) per capita.

“Se é verdade que os aumentos salariais estiveram associados ao aumento do PIB per capita, os salários médios reais cresceram a um ritmo e a uma taxa muito inferior aos aumentos do PIB per capita nesse período”, avalia Abramo.

Brasil

No Brasil, segundo a OIT, o crescimento econômico verificado nos últimos 13 anos não foi repassado para os trabalhadores, visto que, entre 1995 e 2007, o PIB per capita atingiu 16%, enquanto a renda dos trabalhadores caiu 6%.

Embora ainda não seja suficiente para compensar as perdas ocorridas na década de 1990, o estudo mostra que, desde 2004, a renda média voltou a crescer cerca de 15,6%. O motivo, segundo a Organização, seria a política de recuperação do salário mínimo.

“A valorização do salário mínimo é importante para dinamizar o mercado interno e evitar o aprofundamento da crise recessiva, porque, se não, você entra numa espiral que vai levando a economia real para baixo”, diz a especialista.

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