PNAD 2005: Rendimento do brasileiro tem primeira alta em 10 anos

Mesmo assim, na comparação com o rendimento registrado em 1996, os valores ainda são 15,1% menores

SÃO PAULO – O rendimento médio real do trabalho cresceu 4,6% em relação a 2004. É a primeira alta no rendimento desde 1996, considerando-se a série harmonizada*. No entanto, com a mesma consideração, o rendimento médio mensal real de trabalho de 2005 está 15,1% abaixo do de 1996.

Os resultados fazem parte da Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios – PNAD 2005, divulgada nesta sexta-feira (15) pelo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Mulheres têm maior acréscimo

De acordo com o levantamento, entre os homens o acréscimo na renda foi de 3,6% de 2004 para 2005, enquanto que, para as mulheres, o aumento foi de 6,3% no mesmo período.

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Apesar disso, o levantamento aponta que ainda existe diferença no pagamento entre homens e mulheres, mesmo com uma ligeira melhora de 2004 para 2005. Em 2004, o rendimento de trabalho das mulheres representava 69,5% do dos homens. No ano passado, esse índice aumentou para 71,2%.

Por nível de ocupação, a menor diferença se encontrava entre os empregados, onde o rendimento feminino correspondia a 89,8% do rendimento masculino. Na seqüência, apareceram os cargos de empregadores (mulheres com 77,7% do salário masculino), domésticos (74,3%) e trabalhadores por conta própria (66,4%).

Análise regional

O rendimento médio mensal dos domicílios, em 2005, foi de R$ 1.524,00, sendo que o maior valor foi registrado no Sudeste (R$ 1.808,00). As regiões Nordeste e Norte registraram os valores mais baixos, equivalentes a 52,9% e 64,2%, nesta ordem, em relação ao rendimento do Sudeste.

De acordo com o levantamento, apesar da diferença entre algumas regiões, todas as localidades registraram aumento no rendimento em relação a 2004. Os maiores aumentos foram registrados no Sudeste (5,3%) e no Centro-Oeste (5,3%). E o menor foi o da região Norte (1,7%).

Segundo o estudo, em 2005, 30,5% das pessoas ocupadas tinham rendimentos até 1 salário mínimo. Nas regiões Norte e Nordeste essa porcentagem ficou acima da média, com 33,8% e 48,5% das pessoas nesta faixa.

Ocupação

Pelos diferentes níveis de ocupação, a PNAD 2005 revela que os trabalhadores domésticos com carteira assinada tiveram o maior aumento de rendimento no período: 7,4%. Em seguida aparecem os empregados não registrados (6,6%), trabalhadores da categoria militares e estatutários (5,7%), domésticos sem registro (3,9%) e empregados com carteira assinada (3,6%).

(*) Série harmonizada: resultados de 2004 e 2005 adaptados à cobertura geográfica da PNAD até 2003 (em 2004, a pesquisa foi implantada nas áreas rurais de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá, alcançando a cobertura completa do território nacional).