PIB menor já esperado pelo mercado e não reflete piora no cenário, dizem analistas

Tombini diz que economia está forte e passa por ciclo sustentado de expansão; Mantega espera crescimento 4% para a economia

SÃO PAULO – A desaceleração do PIB (Produto Interno Bruto) divulgado nesta sexta-feira (2) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) não surpreendeu os analistas de mercado, que já esperavam um desempenho menor para o período, tanto que já pensam em rever suas estimativas para o final deste ano.

Para aconsultora Rosenberg & Associados, o resultado do PIB veio ligeiramente inferior ao esperado por seus analistas, de 0,9% em relação ao trimestre anterior, que revisaram suas projeções do PIB de 2011 para 3,7%, tendo em vista o desempenho da indústria, especialmente a de transformação.

“De maneira geral, os dados corroboram a expectativa de que a atividade permaneceu forte no trimestre. Daqui para frente, poderemos ter uma desaceleração um pouco maior, principalmente nos indicadores de demanda, mas com crescimento do PIB ainda expressivo”, explicam.

PUBLICIDADE

Por sua vez, a LCA Corretora projeta um PIB de 3,4% para 2011, mas promete rever o número depois do resultado desta manhã e dos últimos anúncios, como o corte de 0,5 ponto percentual da taxa básica de juros, a Selic anunciado na quarta-feira (31) pelo Copom (Comitê de Política Monetária).

“Esse número [3,4%] deverá ser revisto para baixo, pois embutia a expectativa de alta dessazonalizada de 0,6% neste 3º trimestre – indo a +0,7% no 4º trimestre. Neste sentido, revisaremos nossas projeções incorporando as mudanças recentes na condução da política monetária doméstica”, explicam.

Por fim, o banco HSBC acredita que os números divulgados pelo IBGE não são tão fracos como alguns players do mercado sugeriam. Por outro lado, os economistas do banco esperam em aperto da demanda no mercado doméstico.

“Até o final do ano, enquanto o ciclo de flexibilização da política monetária apoiar-se no crescimento de crédito, há grandes chances de um endurecimento do consumo doméstico e sua consequente diminuição substancial”, dizem.

Já do lado da oferta, os especialistas preveem que indústria e agricultura devem seguir um ritmo ruim de desenvolvimento. “Enquanto isso, o setor de serviços continuará sendo impulsionado pelas componentes aumento do salário e crescimento de crédito”, concluem.

Tombini diz que economia segue firme e forte
Segundo nota divulgada nesta sexta-feira, o presidente do BC (Banco Central), Alexandre Tombini, disse acreditar que a economia brasileira está em ciclo sustentado de expansão.

PUBLICIDADE

“O resultado confirma que a economia brasileira se encontra em ritmo mais condizente com o equilíbrio interno e externo e consistente com o cenário de convergência da inflação para a meta em 2012”, avaliou.

Segundo o presidente do BC, “a demanda doméstica continua sendo o grande suporte da economia, com o consumo das famílias registrando crescimento de 1%, em relação ao primeiro trimestre, desempenho que tem sido impulsionado pela expansão moderada do crédito às famílias, pela geração de empregos e de renda”.

Ainda na nota, Tombini destacou que a formação bruta de capital fixo, considerada por ele uma boa medida do investimento, cresceu 1,7% no segundo trimestre, em relação aos três primeiros meses do ano. “Isso indica que o empresariado nacional permanece confiante nas perspectivas para a economia brasileira neste e nos próximos anos”, concluiu.

Em tempo, mis cedo, o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, também avaliou o resultado do PIB, e disse esperar um  crescimento econômico de 4% para economia brasileira em 2011.