Pesquisa mostra que problema mundial de escassez de talentos persiste

"Embora haja abundância de mão-de-obra, por não atender requisitos, ela não é aproveitada", diz diretor da Manpower

SÃO PAULO – Uma pesquisa feita pela Manpower em 33 países, de 30 regiões*, mostrou que, embora existam vagas disponíveis em diversos setores, uma forte escassez de talentos faz com que os gestores optem por não contratar, deixando vagos cargos importantes em suas companhias.

Embora fora da pesquisa, o Brasil vive uma realidade parecida, de acordo com o diretor-geral da Manpower no País, Augusto Costa. “Em um ambiente em que as empresas precisam trabalhar mais estrategicamente e de forma criativa, com economia de recursos, os gestores procuram otimizar as operações com uma equipe cada vez menor. Embora haja abundância de mão-de-obra no mercado, por não atender requisitos exigidos hoje pelas empresas, ela não é aproveitada”, disse.

Cargos

De acordo com a pesquisa internacional, que aponta que 30% dos empregadores sentem dificuldades em preencher as vagas disponíveis, dentre os cargos que mais enfrentam escassez de talentos, estão os de ofício manual (como eletricistas, encanadores, carpinteiros e soldadores), representantes de vendas e técnicos (operação, produção, manutenção), de acordo com a tabela abaixo:

PosiçãoCargo com escassez de talentos
Ofício manual
Representante de vendas
Técnicos
Engenheiros
Gestores/Executivos
Contadores/Finanças
Construção civil
Operadores de produção
Secretárias/Assistentes de administração
10ºMotoristas

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Fonte: Manpower

De acordo com Costa, as profissões em que há mais escassez de talentos são aquelas menos procuradas, já que atualmente as pessoas se interessam mais por áreas tecnológicas e de gestão. “Pode parecer contraditório, mas, em tempos de crise, não são os cargos administrativos que estão em falta”.

América Latina e Brasil

Os dados mostraram que, na América Latina, 36% dos gestores apontaram dificuldades em preenchimento de vagas, por conta da escassez de talentos. Em comparação ao ano passado, houve aumento de 8 pontos percentuais. Dentre os profissionais mais citados, bons técnicos são os mais difíceis de encontrar, seguidos daqueles da área de finanças.

“Acompanhando o mercado brasileiro, verificamos que os cargos que mais sofrem de escassez de talentos são os da construção civil e técnicos especializados. Em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo e globalizado, apostar em áreas de baixa procura pode ser uma ótima alternativa contra o desemprego, ainda mais em tempos de crise mundial”, disse Costa.

* A pesquisa foi realizada com 39 mil gerentes e diretores dos EUA, Grã-Bretanha, França, Espanha, Itália, Alemanha, Japão, Dinamarca, Noruega, Suécia, Suíça, Canadá, Nova Zelândia, Islândia, Finlândia, Países Baixos, Austrália, Áustria, Portugal, Irlanda, República Tcheca, Luxemburgo, Bélgica, Coreia, República Eslovaca, Hungria, Polônia, Grécia, México e Turquia.