Pesquisa Fipe: aumento do mínimo não chega plenamente a domésticos

Em São Paulo, aumentos médios dos domésticos atingiram apenas 29% do reajuste do salário mínimo

SÃO PAULO – O salário mínimo aumentou no governo Lula, mas não tanto para os domésticos da cidade de São Paulo. A afirmação é do coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), Paulo Picchetti.

Conforme levantamento, desde 2003, apenas 29% do aumento do salário mínimo chegou ao bolso da categoria.

Explicação

Segundo Piccheti, nos oito anos do governo FHC o reajuste do mínimo foi de 186%. O aumento à categoria foi, por sua vez, de 195%. Sobre a inflação acumulada do IPC-Fipe, houve ganho real de 59%.

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Já sob gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, o aumento acumulado foi de 75%. O da categoria, ao mesmo passo, de 22% – ou apenas 29% do total geral. Sobre a inflação do período, o aumento do salário foi de 3%.

“Aparentemente no caso de um passado recente, o governo anterior deu reajustes maiores, o emprego doméstico conseguiu seu equilíbrio”, explicou Piccheti. “E também os empregadores não tiveram tanto aumento em seus salários, o que diminuiu o repasse”, concluiu.

Desemprego

Segundo a presidente do Sindicato dos Empregadores Domésticos do Estado de São Paulo, Margarete Galvão Carbinato, o repasse parcial do aumento do mínimo é um resultado do alto nível de desemprego verificado no governo Lula.

“Dessa forma, não teve como o empregador dar todo o aumento para os domésticos que ganhavam mais que um salário”, explicou, ressaltando que como a categoria não possui data-base, o problema se intensifica.

“Temos nossas próprias estatísticas, e os empregadores simplesmente não conseguiram aumentar o pagamento”, afirmou. “Para o funcionário, é melhor do que ser mandado embora“, concluiu.