Pesquisa: empresas demitem profissionais maduros para contratar jovens

Para headhunter da Junto Fast Recruitment, Ricardo Nogueira, a crise, salários e flexibilidade são os motivos desse resultado

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SÃO PAULO – O mercado de trabalho está preferindo manter os jovens empregados do que os profissionais de maior faixa etária. Em junho deste ano, o número de jovens entre 18 e 24 anos admitidos no estado de São Paulo foi superior ao número de demitidos (139.471 contratações contra 117.179 desligamentos).

Por outro lado, utilizando-se a mesma base comparativa, o saldo entre os trabalhadores de 50 a 64 anos de idade foi negativo, 21,097 mil admissões ante 24,7 mil demissões. É o que comprova a pesquisa Observatório do Emprego e do Trabalho, do governo do Estado de São Paulo.

Na opinião do headhunter e presidente da Junto Fast Recruitment, Ricardo Nogueira, esse resultado, que pode ser aplicado em todo o País, pode ter ocorrido devido à crise financeira.

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“Por estarmos muito ligados com os Estados Unidos, devido à presença das multinacionais no Brasil, acabamos tomando a mesma atitude errada de reduzir os custos das empresas por meio de corte de pessoas”.

Outros motivos

Porém, o headhunter destaca que um outro motivo para ter mais admissões e menos demissões entre os jovens está relacionado ao salário. “Os jovens, geralmente, são mais dispostos, aceitam remuneração mais baixa que um executivo experiente. Além disso, os jovens têm uma maior flexibilidade quanto ao horário de trabalho e também com relação a possíveis transferências, mudando de cidade ou país sem muitas contestações”.

Nogueira afirma ainda que, diante desse cenário, as empresas estão cada vez mais admitindo jovens executivos para cargos de gerência. “A empresa demite um executivo experiente que recebe em torno de R$ 500 mil por ano para contratar cinco jovens executivos para receber R$ 100 mil por ano, cada. Dessa forma, se antes a média de idade de um gerente era de 40 anos de idade agora é de 29”.

O que fazer?

Para Nogueira, o pior da crise já passou e as empresas estão recontratando profissionais. Logo, se o executivo experiente perdeu o emprego desde setembro do ano passado já passou da hora de reorganizar a vida profissional.

“Uma dica para aqueles profissionais que acabaram de ser demitidos é que eles tentem negociar com o emprego anterior um programa de transição de emprego. Além disso, essa pessoa tem de procurar emprego sempre e não se sentir um desempregado, afinal ela terá de trabalhar de seis a oito horas por dia para conseguir uma recolocação. Essa nova oportunidade pode surgir com a divulgação de currículos e por meio de visitas a amigos”.