Perdeu o emprego? Posições inferiores nem sempre devem ser descartadas

Segundo consultora, profissional não deve se apegar a nomenclatura do cargo; deve avaliar possível crescimento

SÃO PAULO – Depois de alguns anos na mesma empresa, o profissional cresce, se desenvolve e vai conquistando posições cada vez mais de destaque, como gerência, diretoria e presidência. De uma hora para outra, porém, ele pode perder a emprego e ter de se recolocar no mercado, tendo, por vezes, de aceitar um cargo inferior ao que estava ocupando.

Embora essa situação não seja tão incomum, nem todos os profissionais sabem lidar com isso. Alguns simplesmente não querem aceitar um cargo inferior, o que pode fazer com que passem muito tempo fora do mercado. Outros, por conta de insegurança, acabam aceitando qualquer oportunidade, podendo facilmente se frustrar.

Então, o que fazer? A primeira dica da consultora Meiry Kamia é que o profissional não se apegue tanto à nomenclatura do cargo. Ou seja, não é só porque era diretor em uma empresa que ele não deve aceitar uma posição de gerência, por exemplo. O que deve ser analisado não é a nomenclatura, mas sim as oportunidades e desafios oferecidos.

PUBLICIDADE

“Você pode ser o diretor de uma empresa e ter uma equipe de 5 pessoas. Já em outra organização, como gerente, você pode ter uma equipe de 30”, explica a consultora. Da mesma forma, uma posição que você considere inferior – em relação à ocupada anteriormente – pode proporcionar oportunidades que você jamais teria na empresa antiga.

Não se importe com a nomenclatura
As empresas possuem nomenclaturas específicas e nem sempre faz sentido se basear nelas. Segundo a consultora, o maior impacto para os profissionais – quando perdem uma determinada posição – é de ordem psicológica, ou seja, se sentem inferiores por não poderem mais dizer que são diretores ou gerentes.

“O profissional não pode se confundir com o cargo; ele não é um cargo, é um profissional que assume algumas funções dentro da organização”, diz Meiry. É justamente por isso que não há problema nenhum em assumir uma posição inferior, desde que ela traga as oportunidades que considere importantes para o desenvolvimento da carreira.

Crescimento
Além disso, mesmo que se depare com uma oferta que não esteja necessariamente a sua altura, se acreditar que existe perspectiva de crescimento na empresa, vale a pena tentar. “Às vezes, é importante dar um passo para trás, para dar dois para frente”, diz a consultora. Além disso, se a nova empresa realmente valorizar seu capital humano e você mostrar que tem valor, na primeira oportunidade, possivelmente será promovido.

Os profissionais não devem esquecer que só conquistaram uma posição de destaque na empresa anterior porque mostraram resultados, entregando um trabalho com qualidade e fazendo a diferença. Agora, na nova empresa, ele tem de mostrar novamente o seu valor para assumir as posições estratégias.

Reserva financeira
Outro aspecto importante é a questão financeira. Se o profissional não tiver uma reserva para um momento de desemprego, ele corre o risco de não ter condições de avaliar as oportunidades, tendo de aceitar a primeira que aparecer. Apesar do plano de carreira, o profissional também vai ter de ser prático e objetivo nesse momento. “Se ele não tiver dinheiro e as contas começarem a chegar no final do mês, a situação não vai permitir muitas escolhas”, pondera a consultora.

PUBLICIDADE

Por outro lado, mesmo que tenha dinheiro, não é aconselhável ficar muito tempo fora do mercado. “Ele não pode deixar passar muito tempo, pois isso pode acabar com sua autoestima, que é essencial para atingir os objetivos”, finaliza Meiry.