Pausa rápida… Na vida profissional: tirar ou não um mês de férias?

Decisão depende de cada profissional, bem como da área em que ele atua; confira os riscos de ficar muito tempo afastado

SÃO PAULO – A legislação brasileira permite ao trabalhador tirar 30 dias consecutivos de férias. Isso mesmo: um mês para poder fazer o que quiser, estudar, ficar com a família, viajar. O problema é que, na prática, isso não acontece.

As empresas acabam pressionando, o trabalho acaba se acumulando e o profissional… Acaba cedendo. Quando percebe, está já há um bom tempo sem tirar os merecidos 30 dias consecutivos. Com isso, o estresse acumula e qualquer detalhe vira motivo para explodir.

Mas, mesmo com o lado positivo de poder desligar-se da empresa e relaxar por 30 dias, será que é bom para a carreira tirar os 30 dias de férias? O portal InfoMoney contatou especialistas no assunto, e as respostas foram bastante contraditórias: sim e não.

Bom de um lado, ruim do outro

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De acordo com a consultora do IDORT-SP, consultoria que atua no desenvolvimento de empresas públicas e privadas, Tânia Zarpelão, atualmente existem muitos questionamentos em relação ao período de 30 dias, mas os riscos para a carreira são poucos. “Não vejo risco se a pessoa faz um trabalho de qualidade, administra seu tempo e deixa tudo organizado antes de sair”, afirmou.

Entretanto, existe a possibilidade de aquela pessoa que estava apagada pela sua presença aparecer. “Essa pessoa apagada pode roubar o cargo da outra. Mas em 30 dias não tem como mostrar toda a qualificação para um cargo a ponto de pegar o lugar do outro. Então, a conclusão é de que ela perderia mesmo sem tirar férias”, afirmou Tânia.

Ela também considerou que algumas empresas esperam o profissional tirar férias para demiti-lo na volta, mas isso independe do tempo do descanso. Conclusão: se o profissional está mal na empresa, não são as férias que determinarão a demissão. Essa é uma decisão que a empresa já tomou! “A empresa só esperava a oportunidade porque a pessoa não estava bem. As pessoas fecham os olhos e culpam as férias, mas já havia uma intenção”.

O ponto positivo das férias de 30 dias é que a pessoa pode realmente se desligar da empresa. “É necessário porque o estresse demanda esse tempo”, disse a consultora. “Às vezes, na primeira semana, a pessoa ainda não consegue se desligar do trabalho. Então, só no décimo dia ela descansa”.

Muito relativo

Segundo o consultor de carreira Renato Waberski, da Thomas Case & Associados, nem sempre tirar férias de 30 dias implica riscos. Depende de cada caso. Em um deles, a empresa simplesmente percebe que não precisa do profissional. “Como ninguém é insubstituível, ela percebe que o funcionário não é essencial”.

A dica que ele dá é para o profissional analisar sua situação na empresa antes de optar pelo período prolongado, mas também a sua função. Questionado sobre quando ele indicaria para uma pessoa tirar um mês de férias, ele disse quando ela ocupar cargos mais operacionais, administrativos, momento em que é mais confortável pedir um período mais longo.

Agora, se a pessoa ocupa um cargo comercial, com muitos clientes, por exemplo, é recomendado um período menor de férias, para não deixar os contatos tão distantes.

Antes, durante, depois!

Confira as orientações que ambos os consultores deram para quem quer aderir às férias de 30 dias:

  • Deixe tudo organizado antes de sair de férias, ou então não conseguirá descansar;
  • Encaminhe suas tarefas a outros profissionais e não esconda informações, ou então será importunado durante o recesso;
  • Não é regra, mas se sentir-se muito inseguro em relação ao seu emprego, é indicado ligar por volta do 15º dia para ver como andam as coisas no escritório, se for fechamento de algum relatório;
  • Período de férias é de descanso, mas é indicado deixar um contato fácil, como um e-mail ou telefone pessoal;
  • Quando voltar, primeiro procure se atualizar sobre o que está acontecendo para depois começar a colocar a mão na massa.