Paradigma do estresse: tema que era tabu nas empresas hoje é discutido abertamente

Empresas oferecem cursos de gerenciamento do estresse aos colaboradores e fazem trabalho de prevenção

SÃO PAULO – Antes, os chefes não queriam saber se o funcionário estava estressado. Eles queriam produção e lucro. Hoje, esse discurso mudou. A psicóloga organizacional e consultora do IDORT/SP, Fátima Guimarães, por exemplo, é professora do curso de gerenciamento do estresse, que, muitas vezes, é oferecido dentro das empresas.

Um dos pontos altos desse tipo de curso é a troca de experiências, que faz com que as pessoas mudem seus pontos de vista, principalmente porque acabam escutando outros que vivenciam situações semelhantes, e enxergam-nas com mais clareza.

A psicóloga defende que se preocupar com o estresse é essencial. “Durante muito tempo, existiu um preconceito com relação ao estresse, que não era levado a sério como deveria. Conversar com o chefe sobre o sofrimento causado pelo estresse era inimaginável”, explica. “O perigo reside no fato de que as pessoas com grau elevado de estresse não reconhecem que sofrem disso. Entretanto, quando não tratado, os danos físicos são muito ruins.”

Causas

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As principais queixas daqueles que sofrem de estresse, de acordo com Fátima, são: enxaqueca, insônia, irritabilidade, problemas dermatológicos, falta de ar, dores no estômago, dermatites e alergias no geral. Quando um desses sintomas é forte, a pessoa não deve ter medo de procurar ajuda médica, o que irá ajudar na recomposição do organismo.

Além disso, para combater o estresse, é importante analisar as causas. E a psicóloga alerta para o fato de que, apesar de quase invariavelmente o estresse ser atribuído ao trabalho, nem sempre esse é o real motivo. “Às vezes, a causa está em algum problema social ou na rotina em casa. O trabalho acaba sendo alvo da crítica, porque, quando o indivíduo está demasiadamente estressado, perde noção do que o estressa. No fim, ele acha que tudo ou qualquer coisa estressa, mas é necessário identificar as razões e canalizar soluções”.

Fátima, que integra o Núcleo de Estudos sobre o Stress, do IDORT/SP, dá duas dicas importantes para combater esse nível elevado de estresse: alimentar-se adequadamente, e isso significa comer frutas e legumes, e fazer ginástica. “As pessoas me perguntam: ‘o que ginástica tem a ver com isso?’. A verdade é que ter domínio sobre algumas ações no dia-a-dia ajuda muito.” Agora, se o problema for a falta de tempo para ficar com os filhos, procure alternativas simples para amplificar esse tempo, como mudar o horário de trabalho.

Prevenção

Durante os cursos de gerenciamento do estresse, também é realizado um trabalho de prevenção ao problema. Nessa etapa, é possível aprender técnicas de relaxamento, como a meditação, e conhecer a importância do convívio familiar e da vida social. “O importante é fazer coisas que levem os indivíduos a pensar em si”, completa a psicóloga.