Para manter empregos, Vale propõe aos sindicatos licença remunerada

Proposta garantiria 50% do salário até o final de maio; posição dos sindicalistas sobre o acordo ainda é incerta

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SÃO PAULO – A Vale (VALE3, VALE5) apresentou nesta quinta-feira (22) aos sindicatos de mineração de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul uma proposta de licença remunerada para garantir empregos na companhia até 31 de maio deste ano. A remuneração seria de 50% do salário base, garantido o piso de R$ 856,00.

A proposta, inédita no Brasil segundo a mineradora, ainda manteria integralmente todos os benefícios contratuais como assistência médica, previdência complementar, cartão-alimentação no valor de R$ 220,00 mensais, reembolso creche, reembolso escola e material escolar, seguro de vida, entre outros.

A medida teria como objetivo manter os níveis de emprego enquanto a companhia ganha tempo para organizar sua produção em diferentes minas, de forma a se adequar à realidade de mercado.

Sindicatos estariam indispostos a aceitar o acordo

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Para obter a licença, os empregados precisam ser vinculados aos sindicatos que aceitarem a proposta. A mineradora garante a manutenção dos trabalhadores sindicais até maio de 2009 para todos que aceitarem o acordo, “incluindo os que entrarem em licença e os que continuarem em atividade”.

No entanto, segundo o presidente do Metabase – que reúne sindicatos de Minas Gerais – Paulo Soares de Souza, os sindicatos ligados à Vale não estão dispostos a aceitar as propostas da companhia que incluam redução de salário, por considerarem a medida injusta por uma empresa com previsão de alta de lucro em 2008.

Souza ainda afirmou que a Vale está planejando colocar mais 7 mil empregados em férias coletivas nas minas de Brucutu e Fábrica, também em Minas Gerais. Segundo ele, a categoria programa para o dia 11 de fevereiro uma manifestação na sede da companhia, no Rio de Janeiro.

Vale desmente

Em contrapartida, a mineradora afirma que, devido ao bom relacionamento entre as partes, as conversas com os sindicalistas estão caminhando bem, de modo que a proposta deve ser aceita pelos trabalhadores.