Papademos pede corte de salário mínimo na Grécia, mas sindicatos negam

Primeiro-ministro também quer rever 13º e 14º salários ao setor privado e "simplificar" a lei trabalhista no país

SÃO PAULO – Seguindo o pedido da Troika, grupo de negociadores composto pelo FMI (Fundo Monetário Internacional), pela Comissão Europeia e pelo BCE (Banco Central Europeu), o primeiro-ministro interino da Grécia, Lucas Papademos, anunciou que pretende reduzir o salário mínimo no país, bem como rever os 13º e 14º salários.

A autoridade se reuniu com sindicatos e confederações de empresários nesta quinta-feira (5) e discutiu a possibilidade das mudanças, alegando a necessidade de alcançar esse objetivo para receber a próxima parcela de ajuda externa. “Temos que abdicar um pouco agora para não perdermos muito”, disse o premiê ao jornal grego Kathimeini.

Segundo Papademos, caso a Grécia não consiga esse auxílio, já pode começar a entrar em um calote ordenado a partir de março, quando algumas das obrigações soberanas vencem. Além de cortar os pagamentos do setor privado, ele admitiu que os reajustes automáticos teriam de acabar, e sugeriu que as leis trabalhistas no país sejam simplificadas.

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Reação dos trabalhadores
Ao fim da reunião, líderes sindicais se mostraram avessos à chance de verem o salário mínimo, hoje em € 600, rebaixado, ou até mesmo de as bonificações de fim de ano serem retiradas. Essa foi a primeira vez, desde que os gregos mergulharam em uma profunda crise econômica, que se tocou no assunto de pagamentos aos trabalhadores durante as negociações.

O Kathimeini informa que as lideranças discordam de que os salários reduzam a competitividade da nação, como foi apontado por Papademos. O premiê, no entanto, argumenta que, somando a má administração pública à corrupção e aos problemas na qualidade de bens e serviços, bem como de infraestrutra, o nível de remuneração atrapalha a recuperação do país.

Obedecer a Troika pode criar um novo capítulo no confronto entre trabalhadores e governo na Grécia, que já enfrenta grandes greves desde o ano passado. “Reduzir o salário mínimo ignorando o processo de negociação entre trabalhadores e empregadores é um crime”, denunciou Dimitris Asimakopoulos, presidente da Confederação Geral de Pequenos Negócios e Comerciantes Gregos, ao jornal.