Panorama do desemprego no Brasil: piora é esperada para próximos meses

"Em dezembro, o emprego pode apresentar um comportamento estável.. mas o primeiro trimestre não será bom", diz economista

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SÃO PAULO – O desemprego na indústria, escancarado por pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), pode se agravar ainda mais no primeiro trimestre de 2009, segundo o economista Rogério Cezar de Souzado, do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial).

As demissões devem acompanhar o movimento de queda na produção. À Agência Brasil, Souzado explicou que há uma diferença temporal entre o que a empresa produz e o nível de emprego, de maneira que os desligamentos somente virão após a redução na atividade das empresas, que já aconteceu ou está acontecendo.

Segundo ele, no acumulado de outubro e novembro do ano passado, a produção industrial já caiu cerca de 8%, enquanto o emprego registrou retração de 0,6%. “O que chama atenção, para os próximos meses, contando com essa idéia de defasagem, é que a indústria ainda está se ajustando em dezembro e janeiro quanto à produção. Com o emprego, não será diferente”, disse, referindo-se à provável alta de demissões.

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“Em dezembro, o emprego pode apresentar um comportamento estável ou uma queda, mas o primeiro trimestre do ano não será bom para o emprego”.

Na contramão

Apesar da perspectiva negativa de economistas, o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, se mostra otimista com relação a 2009. Se, em 2008, foram gerados mais de 2 milhões de postos de trabalho formais, este ano, esse número será de 1,5 milhão, na avaliação do representante do governo.

Ele reconhece, no entanto, que o primeiro trimestre ainda será frágil na geração de novas vagas de trabalho, mas, assim como o mercado consumidor, a partir de março a geração de empregos deve voltar a crescer.

Além disso, pequenas e médias empresas, as maiores empregadoras do País, poderão ter mais recursos para investir em 2009, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego. Lupi informou que aguarda apenas os balanços da arrecadação de 2008 do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) e do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Trabalho) para definir quanto será possível disponibilizar para emprestar às empresas.

“O excedente dos depósitos especiais do FAT poderá ser liberado ao BNDES vinculado à pequena e média empresa, por exemplo. Os recursos extras do FGTS poderão ser usados para investimentos em habitação popular e saneamento”, afirma.

Garantia de emprego

Para garantir a manutenção de empregos mediante a crise mundial, os ministros do Trabalho do Brasil, da Argentina, do Chile e do México, reunidos em encontro promovido pela OIT (Organização Internacional do Trabalho), em Santiago, capital do Chile, na quinta-feira (15), assinaram documento defendendo que investimentos públicos estejam vinculados a garantias de manutenção de empregos.

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Na ocasião, Lupi pediu sensibilidade ao setor produtivo e defendeu a necessidade de contrapartida social de empresas brasileiras que foram beneficiadas com as ações anticrise adotadas pelo governo.

“Eu afirmo e reafirmo que o mínimo que o governo brasileiro deveria fazer é exigir que essas empresas garantam o emprego do trabalhador como contrapartida das isenções fiscais e financiamentos públicos recebidos. O Estado tem de estar na vanguarda da defesa dos direitos dos trabalhadores”.

Redução dos juros

Na opinião de Rogério Cezar de Souzado, do Iedi, o governo é um agente importante e fundamental neste momento de crise. Para reduzir os efeitos dela, é preciso manter os investimentos e reduzir os juros, segundo ele. “O governo tem de segurar os investimentos na economia, tem de sinalizar para os agentes econômicos – consumidores, empresários e instituições – que a economia vai se fortalecer”.

“O governo pode entrar com gastos produtivos. Com isso, deve trazer investimentos privados além de tentar trabalhar com a expectativa de empresários. Essas variáveis irão minimizar os efeitos da crise, sobretudo o desemprego”, finaliza.