Pagamento de expurgo do FGTS injetou R$ 1,4 bilhão na economia

Estimativa reflete os saques feitos entre 11 de junho e 5 de julho até o final da primeira fase, saques podem chegar a R$ 3 bilhões

SÃO PAULO – Apesar da confusão que tem causado o pagamento dos expurgos referentes aos planos econômicos Verão e Collor 1, a expectativa é que os pagamentos a serem efetuados para os trabalhadores, que já têm direito ao saque destes recursos, acabem impulsionando a economia.

Recursos impulsionam economia

De acordo com o calendário da Caixa, até a última sexta-feira, dia 5 de julho, cerca de 31,686 milhões de contas já teriam recebido depósito para um total de R$ 2,7 bilhões de recursos depositados.

Entretanto nem todos os trabalhadores podem sacar estes recursos, mas somente aqueles que já sacaram os recursos depositados no FGTS à época dos planos. Além disto, o acúmulo de pagamentos tem sobrecarregado o sistema de compensações acarretando o atraso no pagamento de vários trabalhadores. Desta forma, o volume de recursos injetado na economia foi de R$ 1,4 bilhão para um total de 23,5 milhões de contas sacadas.

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Nos casos em que o saque não é permitido, os recursos referentes ao expurgo devem ser depositados em uma conta especial do FGTS, e o saque só será permitido nas condições normais para retirada que incluem, entre outras, demissão sem justa causa, aposentadoria, compra da casa própria, doença grave como Aids e câncer.

Maioria optou pelo depósito em conta corrente

Ainda de acordo com informações da Caixa, dos R$ 1,4 bilhão sacados, a maior parte, cerca de R$ 1,211 bilhão foi depositada diretamente na conta corrente dos respectivos trabalhadores.

Já os pagamentos através de contra-cheques, permitido para os funcionários de empresas que usam o sistema de pagamento de salários da Caixa, foi equivalente a R$ 9,565 milhões. Outros R$ 240,3 milhões foram sacados diretamente nas agências da Caixa, para um valor médio de saque de R$ 120,5 visto que o número de contas sacadas foi de 1,993 milhão.

Injeção de recursos pode chegar a R$ 3 bilhões nesta fase

O pagamento dos expurgos para os trabalhadores que têm saldo inferior a R$ 1 mil para receber começou no último dia 11 de junho, e de acordo com o calendário de pagamento divulgado pela Caixa Econômica Federal a expectativa é que até o próximo dia 17 de julho fossem feitos depósitos no valor de R$ 3,555 bilhões, o que beneficiaria um total de 13,9 milhões de trabalhadores.

O Governo acredita que deste total cerca de R$ 3 bilhões, ou cerca de 84% dos depósitos previstos sejam efetivamente sacados, contribuindo para ativar alguns setores da economia, ou em alguns casos para que os trabalhadores quitem dívidas em atraso.

A última data de saque nesta primeira fase termina na próxima quarta-feira, dia 17, quando poderão sacar os recursos depositados os titulares de contas com saldo inferior a R$ 1 mil e data de nascimento entre outubro e dezembro. A Caixa estima que desde que foi introduzido o Programa de Adesão cerca de 22,1 milhões de trabalhadores tenham aderido à oferta do Governo. Nesta primeira fase, serão beneficiados apenas os 13,9 milhões de trabalhadores cujas contas têm saldo inferior a R$ 1 mil, o que equivale a quase 63% do total de trabalhadores que aderiram ao Termo.

A Caixa ainda não definiu a data de início da próxima etapa da correção das contas do FGTS. Nesta segunda fase terão direito ao saque os trabalhadores com saldos em conta entre R$ 1.001 e R$ 2.000. Mas a definição do calendário para estes pagamentos, que serão feitos em duas parcelas, a primeira delas ainda em julho e a segunda em janeiro, ainda depende da evolução dos pagamentos relativos à primeira fase da correção.