Os mitos que a crise disseminou entre os executivos

Eles acreditam que, devido às demissões, não é preciso se preocupar em retenção de talentos

SÃO PAULO – A crise fez com que alguns mitos se disseminassem entre os executivos, de acordo com a líder global de Capital Humano da Mercer, Patricia A. Milligan.

O primeiro deles é não se preocupar com a retenção de talentos, tendo em vista que o cenário é de empresas demitindo. “Os melhores colaboradores têm escolhas e eles são os melhores, porque correm riscos”, destacou a líder global, sobre o fato de que, mesmo em meio à crise, muitos profissionais buscam oportunidades.

Os executivos ainda pensaram em redução dos pacotes de benefícios, medida que poderia piorar os negócios, já que desestimularia os colaboradores, mas grande parte das empresas não fez isso. “Há muitos setores que estão pagando o mesmo”, afirmou a líder global da Mercer.

Outros mitos

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Na turbulência, a redução de treinamento e recompensas aos colaboradores foi uma das medidas tomadas por muitos executivos, como forma de diminuição de custos frente a uma demanda em queda. Porém, de acordo com Patricia, saber distinguir o bom profissional do mediano é essencial em momentos pouco favoráveis ao negócio.

Além disso, aprimorar os profissionais, para que saibam lidar com o cenário que se apresenta, também é essencial, o que mostra a importância do treinamento.

Devido à volatilidade do mercado, por conta da crise, muitos executivos pararam de analisá-lo. Mas os bem-sucedidos foram aqueles que continuaram a verificar para onde a economia estava indo, pois puderam adequar seus negócios.

A realidade brasileira

De acordo com Patricia, o Brasil está se saindo melhor da crise do que outros países, porque já tem experiência em situações adversas.

“A inteligência emocional e a capacidade de adaptação foram fundamentais para o Brasil. No Japão, existe um monte de profissionais que não sabem o que fazer, porque nunca passaram por uma crise”, ressaltou.

A líder global afirmou que as empresas querem saber como gerenciar a força de trabalho em um tempo sem precedentes. Uma das tendências verificadas é que é preciso desenvolver a área de recursos humanos, para que ela trabalhe em conjunto com o planejamento estratégico e financeiro.