OIT: taxa de desemprego urbano na América Latina cai para menor nível desde 1990

Segundo relatório da entidade, ainda assim, índice pode se estabilizar ainda neste ano, com desaceleração econômica

SÃO PAULO – A taxa de desemprego urbano na América Latina e Caribe caiu ainda mais e atingiu 6,8%, segundo a OIT (Organização Internacional do Trabalho), que divulgou nesta quinta-feira (12) seu relatório anual sobre o Panorama Laboral Latino.

De acordo com a entidade, o percentual é considerado o menor desde 1990, mas ainda assim pode ser estabilizado neste ano. “Isto pode ocorrer ainda em 2012, com uma possível desaceleração do crescimento econômico regional”, informa.

Para se ter uma ideia, em 2010 o índice se encontrava em um patamar 0,5 ponto percentual superior.

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Homens e mulheres
Ainda segundo informações do relatório, atualmente, quatro de cada dez trabalhadores urbanos não contribuem para a proteção social em saúde e 43% tampouco contribuem para receber aposentadoria no futuro.

Além disso, em relação às mulheres, o desemprego predomina: o sexo feminino apresenta uma taxa 8,3%, enquanto que os homens sem trabalho somam apenas 5,9%.

“A taxa de participação feminina também é menor. Enquanto a delas é de 49,5%, no mercado de trabalho, a deles é de 71,3%”, explica o relatório.

Preocupação com os jovens
O Panorama Laboral 2011 adverte ainda sobre o desemprego entre os jovens, bem como sobre a persistência da informalidade, a baixa cobertura da seguridade social e a necessidade de enfrentar a pobreza rural por meio do trabalho.

Para se ter uma ideia, a taxa de desemprego urbano entre os jovens da região com idade entre 14 e 25 anos é de 14,9%. Isso quer dizer que ela é três vezes superior à dos adultos, estimada em 5%. Como dado comparativo, vale mencionar que, entre os jovens, esta mesma taxa de desemprego também caiu no último ano, passando de 16,7% de outubro de 2010 para 15% para o mesmo período de 2011.

Para a diretora regional da OIT para a América Latina e Caribe, Elizabeth Tinoco, tudo seria mais fácil se cada um fizesse sua parte. “O progresso econômico e social é insustentável, se não se assume o desafio político de gerar melhores oportunidades para os jovens”, diz.

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Segundo a organização, a taxa de participação dos jovens latino-americanos no mercado de trabalho vem diminuindo na maioria dos países da região.

“Enquanto em 2000 o percentual era de 55,4%, em 2011, tal taxa passou a 53,5%. Tal dado reflete uma maior retenção dos jovens no sistema escolar, afirma a OIT.