Objeções à contratação: como são analisadas as características do candidato

Obesidade, mulheres com filhos pequenos e pouca permanência em empregos anteriores são algumas das objeções citadas

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SÃO PAULO – Uma pesquisa da Catho intitulada “A contratação, a demissão e a carreira dos executivos brasileiros”, realizada em 2007, indicou quais são as objeções mais comuns à contratação. Um dos itens mais citados foi o fato do profissional ser fumante: 48,35% dos diretores e presidentes têm muita objeção aos que fumam, enquanto entre gerentes e supervisores esse percentual é de 46,75%.

A obesidade também é um fator de rejeição: 15,59% dos diretores e presidente e 10,56% dos gerentes e supervisores afirmaram ter muita objeção.

Alguns dos outros fatores citados foram mulheres com filhos pequenos (8,65% e 6,38%, respectivamente); pouca permanência em empregos anteriores (44,03% e 37,59%); profissionais que possuem negócio paralelo (18,20% e 16,09%); profissionais que trabalham como consultor (11,83% e 13,98%); aposentados (31,40% e 39,42%); e profissionais com mais de 60 anos (33,79% e 40%).

Desvendando as objeções

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O consultor do instituto de aperfeiçoamento profissional IDORT/SP, Carlos Alberto Pescada, acredita que esses fatores sejam secundários e que os profissionais de recursos humanos acabam usando como critério de desempate. Sem querer minimizar a importância da pesquisa, ele avalia que a contratação depende muito mais das competências do executivo.

Por exemplo, no caso das mulheres com filhos pequenos, há inúmeras empresas, principalmente as multinacionais, que trabalham com regime de home-office. Já o fato de o candidato possuir um negócio paralelo pode contar muitos pontos, quando o cargo exige que o profissional tenha uma visão estratégica e sistemática do negócio.

Além disso, dependendo do mercado, aposentados, que possuem vasta experiência, são os preferidos. Em relação aos fumantes, Pescada opina que o ponto crítico pode ser o fato de que alguns profissionais fumam dentro do escritório, o que pode importunar os colegas e causar um problema de ambiente.

Quanto ao item “pouca permanência em empregos anteriores”, o consultor opina que menos de três anos pode, de fato, ser considerado pouco tempo. Ele explica: “Em três anos, um executivo não teve tempo suficiente nem de implantar um projeto.”

Características que importam mais

“Na minha opinião, as objeções citadas pelos entrevistados não são fatores determinantes. Podem ser usadas como critério de desempate, quando há duas pessoas igualmente boas que poderiam ser contratadas”, sublinha.

O consultor do IDORT/SP analisa fatores que, na prática, são mais relevantes. “Acredito que, para um cargo executivo mais operacional, as competências técnicas tenham 70% do peso, as comportamentais, 20%, e as conceituais, 10%, ao passo que, no caso dos cargos de gerência, mais alta as competências técnicas contam 10%, as comportamentais, 70%, e as conceituais, 20%.”

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