O que pesa na passagem de um cargo operacional para um ligado a gestão?

Segundo a consultora da empresa RH Internacional, Flávia Barcelos, bom desempenho em uma área não garante êxito em outra

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SÃO PAULO – A avaliação de um bom desempenho profissional pode ser um indicativo de que você está pronto para assumir desafios maiores e mais estratégicos dentro da empresa onde atua. O fato de você ser um bom profissional em uma área operacional, no entanto, não assegura que em áreas diretivas, de gestão e na esfera de decisão, isso se repita.

O primeiro passo tanto para empresas quanto para profissionais avaliarem a transferência, promoção ou evolução da área mais técnica e/ou operacional para outra mais estratégica, ligada à gestão do negócio, é a análise criteriosa das competências desse profissional em questão. “Só uma completa avaliação das competências, do potencial e do trabalho desse profissional dará o diagnóstico sobre sua situação, e se ele é adequado para assumir determinado desafio ou não.

A partir daí, configurada a condição de que essa transferência ocorra, a empresa deve apostar em um processo de treinamento, orientação, comunicação para que o profissional chegue ao cargo com o conhecimento mais próximo do desejável possível”, analisa a consultora sênior da empresa RH Internacional, Flávia Barcelos.

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Passagem 
Flávia lembra que muitas vezes, ao passar de um setor operacional para outro mais estratégico e de gestão, o profissional pode não conseguir se habituar à diferente rotina, às novas atribuições, e sobretudo ao volume distinto de demandas. “Por isso esse trabalho de treinamento é primordial, porque, sobretudo em pequenas e médias empresas, essa transição ocorre e precisa seguir um processo para que não se perca de vista o controle do volume e da qualidade do trabalho”, diz a consultora.

No caso dos gestores, a consultora orienta que, antes mesmo de sinalizar a possibilidade de mudança de um setor operacional para um ligado à gestão e direção, se faça um “teste”. “O gestor pode inserir seu funcionário em determinada situação para conhecer sua reação a situações convencionalmente enfrentadas em cargos diretivos e, após consolidar sua decisão, pensar um sistema para facilitar a sua adaptação à nova função e rotina”, opina Flávia.

Capacitação
No caso dos próprios funcionários que estão em condição de ascender a um cargo diretivo ou ligado à gestão da empresa onde atuam, a busca constante por preparação é a dica da consultora. “Seja buscando bibliografia, procurando um treinamento, um curso, uma qualificação, sempre precisa buscar o conhecimento”, alerta a consultora.

Flávia diz que não existe uma fórmula para que esses profissionais busquem essa capacitação. “Ela deve verificar o tempo que dispõe para isso, que tipo de curso se enquadra no seu perfil, se é autodidata, e como a sua escolha complementará seu conhecimento”, avalia.

Independentemente da transferência de uma função técnico-operacional, Flávia lembra que, se a ambição do profissional é algum dia ocupar um cargo mais diretivo ou de gestão, essa pauta de conhecimento deve estar sempre em seu foco de leitura cotidiana e estudo. “O profissional deve ter em mente que a sua aptidão ou não para determinada área ou cargo virá de uma combinação entre conhecimento adquirido e competências comportamentais”, diz a consultora.

Uma vez que essa passagem – da área técnica e operacional para departamentos de gestão, direção e estratégia – se dá, o funcionário deve ter em mente que surgirão dificuldades e isso deve ser tratado com normalidade. “É a melhor opção [a transparência]. Ele deve comunicar suas limitações e dificuldades, até para que a empresa possa proporcionar o melhor suporte”, avalia Flávia. 

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