O que fazer para ajudar um conhecido que perdeu o emprego?

Antes de mais nada, saiba que indicar conhecidos para vagas abertas em sua ou em outra empresa pode ser perigoso

SÃO PAULO – No mês passado, de acordo com pesquisa Ipsos, cada brasileiro conhecia uma média de 4,25 pessoas que perderam o emprego, o que demonstra um aumento com relação a março de 2007, em que a média era de 3,93 conhecidos.

Além disso, quando os participantes da pesquisa foram questionados sobre qual é a chance de, nos próximos seis meses, eles próprios, alguém da família, ou ainda algum conhecido, vir a perder o emprego por conta das condições da economia, 22% responderam “muito grande” ou “um pouco grande”. Isso sem falar que 35% afirmaram conhecer alguém que perdeu o emprego.

Como ajudar

Quando alguém da família ou um amigo perde o emprego, nossa primeira reação é tentar ajudar. Mas você sabe o que é correto fazer? Antes de mais nada, saiba que indicar conhecidos para postos de trabalho que foram abertos em sua empresa ou em qualquer outra empresa pode ser perigoso. Se você preza por sua reputação profissional, algumas coisas devem ser levadas em conta.

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“Se a empresa não gostar da indicação apenas porque não é o perfil procurado, embora a pessoa tenha um bom currículo e boas referências, não há problema algum. Existe, sim, um problema, quando o contratante tem uma restrição quanto à personalidade do profissional indicado. Quem indica tem responsabilidade. É sua palavra que irá valer”, explica a diretora da Sec Talentos Humanos, Stefi Maerker.

É vital conhecer quem será indicado. Se for um amigo, é possível tirar conclusões por meio do convívio, mas, se for alguém com quem já trabalhou, avalie suas qualidades profissionais.

De qualquer maneira, no caso de pessoas com quem nunca tenha trabalhado, é recomendável avisar que, apesar de ser seu amigo ou parente, não o conhece profissionalmente.

Indicação ruim prejudica

Para a especialista, da mesma maneira que uma boa indicação pode fazer com que a pessoa que indicou cresça na empresa, uma vez que, na visão do líder, ela soube avaliar as necessidades daquele cargo, uma indicação ruim pode ser vista de forma extremamente negativa.

Agora, se o profissional indicado passar em um rigoroso processo seletivo, mas apresentar problemas posteriores, durante seu desenvolvimento, a culpa não deve recair sobre quem indicou.

Quando indicar

Mesmo que não saiba de nenhuma vaga aberta, caso o colaborador tenha intimidade com o chefe ou o responsável pelo recursos humanos, ele pode perguntar se pode enviar o currículo de um amigo. “Caso a empresa não tenha interesse em indicações, simplesmente irá responder que não há vagas abertas naquele momento”, opina Stefi.

“Caso tenha conhecimento de uma vaga que está em aberto, diga que conhece uma pessoa com o perfil procurado. No entanto, não é aconselhável fazer isso quando não há intimidade suficiente com o líder da equipe ou o responsável pelo RH”.

Ela ainda pondera: “a sensação de poder ajudar alguém é muito gostosa. Quer dizer, se você conhece uma pessoa que é competente e está procurando emprego e, ao mesmo tempo, fica sabendo de uma vaga com o perfil dela, indique. Todos ficarão agradecidos. Para a empresa, inclusive, poderá ‘cair como uma luva'”.

Capacitação

Outra forma de ajudar o conhecido é alertando-o quanto à importância do aprimoramento profissional. De acordo com uma pesquisa da Korum Transição de Carreira, especialistas estão entre os profissionais mais requisitados nos últimos meses. De acordo com os dados, no acumulado do ano, as vagas oferecidas para eles atingiram 46,9% do total, o que mostra a necessidade de continuar estudando, depois de terminada a faculdade, para ter mais oportunidades.

O dado reflete uma realidade vivida pelo Brasil, de “apagão de talentos”: as empresas buscam pessoas bem qualificadas e a oferta é de poucos profissionais com este perfil.

Para o diretor da Korum, Márcio Brasil, faltam profissionais qualificados no mercado de trabalho: com inglês avançado e fluente e dispostos a mudar de cidade. “O mercado está saturado de profissionais desqualificados”, afirma.