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A maior parte das empresas brasileiras (98%) encontram dificuldades para encontrar profissionais de tecnologia e alguns fatores específicos contribuem para esse cenário.
Segundo o levantamento Mercado de Trabalho Tech: Raio-X e Tendências, realizado pelo Datafolha à pedido da Ford, falta de conhecimento técnico (72%), falta de experiência profissional (54%) e soft skills (39%) são as principais lacunas nessa busca.
O estudo ouviu 250 líderes de Recursos Humanos e Tecnologia da Informação de grandes empresas para mapear os gargalos de contratação e as competências mais valorizadas atualmente.
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Os dados mostram que metade das companhias demoram cerca de 2 meses para contratar esses profissionais, enquanto somente 14% consegue trazer novos talentos em menos de um mês. O LinkedIn se consolida como a principal ferramenta de recrutamento para 60% das organizações.
Inglês e soft skills são fatores eliminatórios
Além da falta de conhecimento técnico e experiência, a ausência de soft skills nos novos trabalhadores dificulta a adaptação aos modelos de empresa atuais. O não conhecimento do inglês também pesa para os empregadores.
As habilidades comportamentais mais difíceis de encontrar são inteligência emocional (36%) e pensamento crítico e capacidade de resolver problemas (33%).
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Em evento realizado nesta quinta-feira (23), Fernanda Ramos, diretora de RH da Ford América do Sul, afirmou que é necessário, além de exigir melhores habilidades comportamentais, preparar a liderança para que eles consigam preparar soft skills da força de trabalho.
Ainda, Djalma Brighenti, diretor de TI da Ford América do Sul, comentou que a atualização tecnológica é mais rápida do que a capacidade da sociedade — e do mercado — de apender sobre ela. Nesse sentido, ele avalia que observar os talentos que estão na empresa ou já passaram pela companhia podem ajudar.
Por outro lado, o inglês é um fator de desclassificação para 78% das empresas de acordo com o estudo. O cenário reforça a necessidade de criar oportunidades para que aprender o idioma seja prioridade em programas de trabalho das empresas.
Raphael Henrique, gerente regional Latam do Top Employers Institute, alegou durante o evento que o “inglês deixou de ser diferencial e passou a ser acesso” às linguagens da tecnologia da informação, seja em códigos, eventos ou mesmo reuniões.
IA será novo fomento do mercado tech
Especialistas em inteligência artificial (IA) e engenheiros de software são os profissionais mais difíceis de encontrar no setor, indicados por 35% e 31% dos entrevistados, respectivamente.
Ao mesmo tempo, o avanço da necessidade de IA é o que 46% do mercado tech espera nos próximos 2 anos, além da qualificação profissional.
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Estudar essas novas tecnologias e ofertá-las aos funcionários é uma das principais estratégias que os especialistas reiteraram durante o evento.
Para Rodrigo Stefanini, CEO da América Latina e Espanha da Stefanini Group, a IA já existe há muitos anos, mas a nova tendência se deu pela maior e melhor adaptabilidade das ferramentas disponibilizadas hoje.
Mas ele reforçou que não são os profissionais sênior que devem se prejudicar com a nova produtividade que a IA proporciona, mas sim os cargos juniores e plenos. Nesse sentido, é importante que as empresas ajudem a ensiná-las a fim de reter esses talentos.
