O perigo das redes sociais para os profissionais durante a Copa do Mundo

Durante o torneio, ânimos costumam ficar à flor da pele, mas não expresse isso com um comentário na rede

SÃO PAULO – Na sexta-feira, dia 2 de julho, o Brasil foi eliminado pela Holanda nas quartas de finais da Copa do Mundo da África do Sul. Um dia depois, foi a vez da Argentina ser desclassificada da competição, após uma goleada da Alemanha.

Em um período de apenas 24 horas, a rede de microblog Twitter registrou um número exacerbado de comentários ofensivos aos atletas de ambas as seleções, aos países e às personalidades que estiveram presentes nos jogos.

Ao que tudo indica, os brasileiros não aceitaram muito bem a derrota, e resolveram se “vingar” por meio do canal, adotando uma postura irônica e agressiva frente à eliminação dos “hermanos”.

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Colocadas em prática, essas atitudes podem gerar prejuízos ao usuário que não medir palavras, e ainda afetar de maneira indireta sua relação pessoal e profissional.

Se derrubar, é pênalti!
Para a especialista em direito digital Patrícia Peck Pinheiro, a troca de informações pelas redes sociais durante um jogo da Copa do Mundo, por exemplo, pode trazer aborrecimentos, se a ferramenta não for utilizada de maneira correta.

“Um profissional pode se manifestar com palavras de baixo calão, agressivas, associando o conteúdo ao nome da empresa e até mesmo a colegas de trabalho de outras nacionalidades”, disse a especialista, de acordo com a Agência Brasil.

Outro ponto lembrado pela especialista diz respeito ao tipo de postura empregada pelo funcionário em uma rede social. Conforme o conteúdo publicado, o profissional pode ser até demitido por justa causa, o que está previsto no Artigo 482 da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho).

Pelé x Maradona
Gafes envolvendo futebol e profissionais acontecem. Basta voltarmos poucos meses no tempo, mais especificamente em março, quando o diretor comercial da Locaweb foi demitido após postar no Twitter mensagens ofensivas ao São Paulo Futebol Clube.

Na ocasião, o time tricolor havia perdido para o Corinthians, em jogo válido pelo Campeonato Paulista. Durante o jogo, a empresa inseriu o seu nome na camiseta do time do técnico Ricardo Gomes.

“Na internet, está tudo por escrito. É muito difícil você afastar uma prova escrita. Você acaba tendo uma análise literal”. O conteúdo postado na internet não traz contexto. Ele é permanente”, classifica Patrícia.

Tomando-se como base a Copa do Mundo, um evento de porte internacional, o funcionário deve tomar ainda mais cuidado com o que escreve para não causar indisposição dentro do âmbito corporativo. Não dá para publicar o que bem entender caso a empresa que trabalha faz negócios com países envolvidos com a competição ou se ela é oriunda de alguma dessas regiões.

Mais cedo para o chuveiro
“A má postura é tratada pelas leis em vigor. É o que a gente chama de ter liberdade de expressão responsável. Ter cuidado com o que diz porque pode responder por isso”, ressaltou Patrícia.

Os problemas se distribuem em outras instâncias muito maiores, como práticas de racismo, ofensas contra etnias e nacionalidades, além de crime de ameaça e de crimes contra a honra. Casos como esses podem levar os autores à detenção.

Patrícia destaca que no mundo digital, o direito de arrependimento é praticamente nulo. “Porque depois que publicou, já foi!”, explica.

Na opinião do vice-presidente da Assespro (Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação, Software e Internet), Raul Colcher, todo esse problema gira em torno da irresponsabilidade dos profissionais. “É um problema social, político, administrativo, jurídico. Qualquer mecanismo tecnológico pode ser utilizado bem ou mal”, avalia.