O escândalo dos cartões corporativos: do governo para as empresas

"Se no governo ninguém questiona os gastos, nas empresas, o 'espertinho' é descoberto", avisa consultora

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SÃO PAULO – Não é somente no Governo que as pessoas usam recursos que não lhe pertencem de forma indevida. O que está acontecendo agora, com o governo de Lula e a oposição investigando a forma como uns e outros utilizaram o cartão corporativo – inicialmente implantado para aumentar a transparência dos gastos -, com o intuito de instalar uma CPI, também é comum nas organizações.

“Os executivos costumam ter cartões corporativos. Mas, quando o cartão é entregue, eles recebem também regras claras do que podem e não podem fazer. De fato, seria uma loucura para as empresas reembolsar cada profissional que viaja e se encontra com clientes, para almoços e jantares. O cartão é uma forma de instituir absoluta transparência. Com um extrato unificado, é mais fácil fiscalizar”, alerta o diretor da Asscont Assessoria Contábil, Antonio Carlos Lopes.

Inclusive, segundo ele, a Receita Federal permite que as despesas extras em linha com a atividade da empresa são dedutíveis do imposto de renda. “Agora, não faz sentido sacar dinheiro do cartão corporativo. Isso é algo sem propósito, principalmente porque o saque não tem rastro, o que impede a fiscalização.”

Empresas dificilmente são enganadas

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“Se no Governo ninguém questiona os gastos, de uma maneira ou de outra, cedo ou tarde, nas empresas, o ‘espertinho’ é descoberto”, avisa a consultora de postura profissional Rosana Fa, autora do livro “Postura Profissional: Comportamento Pode Pesar Mais que Desempenho”.

“As empresas dão muito valor ao profissional ético, com caráter. Quem gasta sempre os recursos da empresa para fins pessoais uma hora será desmascarado e perderá o emprego. O Governo já perdeu credibilidade por conta disso e as organizações não querem que o mesmo aconteça com elas”, acrescenta a consultora.

Essa credibilidade pode ser abalada quando, por exemplo, um cliente percebe que o funcionário da empresa (por mais alto que seja o cargo) está abusando e gastando o dinheiro da empresa de forma indevida.

“O profissional errado pode acabar com as pretensões de negócios de uma empresa. Qualquer atitude pode levar os outros a questionar a imagem da empresa”, finaliza Rosana.

O controle

Geralmente, quem controla isso é a área financeira das companhias. De acordo com Lopes, no entanto, cada departamento possui um limite a ser gasto, que muda conforme as funções e necessidades de cada profissional.

Além disso, as companhias instituem verbas máximas para gastar no caso de encontros com clientes, por exemplo. “Elas fazem isso porque sabem que confiar no bom senso das pessoas é complicado”. A partir daí, qualquer desvio é facilmente localizado, por meio da auditoria interna.

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