Número de escolas que adotam progressão continuada caiu, diz Inep

Meio milhão de estudantes teriam abandonado o sistema em 2002, municipalização do ensino teria prejudicado adoção do sistema

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SÃO PAULO – Adotado em outros países como, por exemplo, o Reino Unido, o sistema de progressão continuada na educação existe no Brasil há alguns anos, mas sofre da escassez de professores.

No Reino Unido, por exemplo, os estudantes que não atingem os objetivos estabelecidos no programa contam com o sistema de apoio, em que recebem aulas de reforço com professores especializados.

Já no Brasil este sistema de apoio acaba não sendo oferecido, de forma que o estudante vai passando de ano e acaba por chegar ao final do 1º ciclo do ensino fundamental, que vai da 1ª a 4ª série, sem sequer saber ler ou escrever. Alvo de muitas críticas, o próprio ministro da Educação, Cristovam Buarque, teria alertado para a possibilidade do sistema deixar de ser adotado no país, pois o sistema estaria perdendo espaço.

Meio milhão de alunos deixaram sistema em 2002

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A constatação foi feita em um estudo do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais). Segundo o estudo, entre os anos de 2001 e 2002 o número de alunos matriculados em escolas que adotam o sistema de progressão continuada teria caído 6,4% baixando de 7,8 milhões para 7,3 milhões.

Contudo, os números do INEP apontam tendências bastante distintas dentro do país. Enquanto na Paraíba o número de escolas que adota o sistema de progressão continuada caiu de 149 para 3 entre 2001 e 2002, em Pernambuco o número de escolas que adota a progressão continuada teria dobrado.

A redução do número de escolas que adotam o sistema poderia ser parcialmente explicada pelo fato de que houve um processo de municipalização das escolas, visto que a nível municipal as escolas não são obrigadas a adotar o sistema. A falta de conhecimento sobre o sistema teria levado muitas delas a manter o sistema de séries ao invés do sistema de ciclos adotado na progressão continuada.

Sistema não estigmatiza o aluno

Na visão da educadora da USP, Silvia Collelo, o fracasso do sistema no país se deve ao
fato de que nem os professores, nem as escolas, foram preparados adequadamente para o sistema. No sistema de progressão continuada a avaliação do aluno é feita somente ao final de um ciclo, sendo que no ensino fundamental, o primeiro ciclo termina na 4ª série e o segundo na 8ª série.

Segundo Collelo, por pressão dos pais, que não teriam aceitado a avaliação por ciclos, as escolas acabaram não implementando o sistema como deveriam, o que teria prejudicado o sucesso do sistema.

Apesar de não ter fornecido dados, a coordenadora de Programas da Secretaria de Educação do Rio de Janeiro, Ângela Fernandes, acredita que no Rio o número de escolas que adotam o sistema aumentou. Para ela o sistema de ciclos representa um avanço em relação ao sistema de séries, pois não estigmatiza o aluno com a repetência e lhe dá mais tempo para atingir os objetivos necessários.