Número de desempregados pode chegar a 57 milhões, revela OCDE

Segundo relatório, governos devem ajudar os jovens, especialmente aqueles com pouca ou sem qualificação

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SÃO PAULO – Após um ano do pedido de concordata do Lehman Brothers, em 15 de setembro do ano passado, já há sinais de recuperação no mercado. Entretanto, a taxa de desemprego na maioria dos países irá aumentar em 2010 e permanecerá alta no futuro imediato, prevê relatório divulgado pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

Entre o final de 2007 até este ano, mais de 15 milhões de pessoas perderam o emprego. Com isso, a taxa de desemprego chegou a 8,5%, em julho deste ano, na área da OCDE, o que corresponde ao maior índice desde o período pós-guerra.

A expectativa da OCDE sobre o emprego não é nada animadora, caso a recuperação não se mostre efetiva. Para a organização, o número de desempregados pode chegar a 57 milhões, de forma que a taxa de desemprego atingiria um novo recorde para o período pós-guerra, de 10%.

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“O emprego é a base da crise atual. É essencial que o foco do governo seja em ajudar as pessoas que estão procurando emprego nos próximos meses”, ressaltou o secretário-geral da OCDE, Angel Gurría.

Medidas

Para evitar que as taxas de desemprego aumentem ainda mais, a maioria dos países analisados pela OCDE introduziu medidas de suporte à demanda por emprego. Uma dessas medidas é o corte temporário das contribuições de seguros sociais pagas pelas empresas.

Entretanto, o relatório da OCDE adverte que a aplicação de medidas desse tipo deve ser bem orientada, bem como deve ser temporária, caso contrário, pode se tornar um obstáculo para a recuperação, ao prejudicar empresas que passam por dificuldades e tornando ainda mais difícil para que elas cresçam e, consequentemente, possam contratar mais pessoas.

O que fazer

Além disso, a OCDE aconselha aos governantes que ajudem os jovens, que têm sido os mais atingidos pela crise, especialmente aqueles com pouca ou nenhuma qualificação. Ao ter esse público como alvo, o risco de essas pessoas ficarem desempregadas por um longo período, e também de perderem o contato com o mercado de trabalho, pode ser reduzido.

Outra forma de amenizar o índice de desemprego é aumentando os gastos com políticas proativas no mercado de trabalho, por exemplo oferendo assistência para busca de empregos, bem como programas de capacitação. No ano passado, muitos países aumentaram os gastos com essas políticas, mas os recursos foram modestos comparando-se à magnitude e ao ritmo de perda de emprego.

Um exemplo disso é que, na Irlanda, na Espanha e nos Estados Unidos, que registraram o aumento mais acelerado do desemprego, nos países da OCDE, os gastos por pessoa desempregada em políticas ativas do mercado de trabalho caíram 40% ou mais no ano passado.

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Também é indicado reforçar as redes de proteção social para evitar que as pessoas desempregadas sofram queda em seu nível social. Na média da área da OCDE, 37% dos indivíduos que moram com suas famílias, cujos membros estão todos desempregados, são pobres, percentual cinco vezes maior do que entre aqueles que têm ao menos uma pessoa empregada na casa.

Por último, é importante estimular a capacitação, para certificar que os trabalhadores têm as competências necessárias para trabalhar em profissões emergentes, a exemplo dos chamados empregos verdes, que giram em torno da questão da sustentabilidade.