Novo mínimo vai injetar R$ 1,6 bilhão por mês na economia; valor não é o ideal

Segundo cálculos do Dieese, em janeiro deste ano, o salário mínimo deveria corresponder a R$ 1.924,59

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SÃO PAULO – De acordo com cálculos do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), o aumento de 8,53% no salário mínimo, que passará de R$ 380 para R$ 412,40, injetará R$ 1,6 bilhão por mês na economia.

E em um ano, segundo o diretor-técnico da entidade, Clemente Ganz Lúcio, a alta de R$ 32,40 gerará recursos da ordem de R$ 21 bilhões na economia brasileira, incluindo o pagamento do décimo terceiro salário.

Valor ainda está longe do ideal

Apesar do importante aumento no valor do mínimo, ele ainda está muito longe do ideal, de acordo com Ganz Lúcio. “O salário mínimo ainda é muito baixo para cobrir as necessidades básicas dos trabalhadores brasileiros”, afirma.

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Conforme aponta estimativa do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), em janeiro deste ano, o mínimo deveria corresponder a R$ 1.924,59, o que significa 5,06 vezes o valor vigente, de R$ 380.

A apuração levou em conta o valor da cesta básica em São Paulo (R$ 229,09) e a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deveria suprir as despesas de um trabalhador e sua família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.

Reajustes

O aumento do mínimo este ano, que passa a vigorar no próximo sábado (1), é fruto de negociações entre o governo e as centrais sindicais. Ele representa um ganho real de 3,7%, equivalente ao crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 2006 e à inflação do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) no período de dez meses até fevereiro deste ano.

De acordo com a CUT (Central Única dos Trabalhadores), a ação do movimento sindical permitiu que o salário mínimo tivesse um reajuste real de 30,11% entre 2004 e 2007, o maior das últimas duas décadas.

E, segundo a entidade, a política de valorização do mínimo segue até 2011, quando está prevista a revisão do acordo feito por meio de novo processo de negociação.

Benefício para o País

Ainda na opinião do diretor-técnico do Dieese, é possível que a política de reajuste do mínimo continue favorável, uma vez que os governantes perceberam que a reposição do poder de compra dos trabalhadores é benéfica para a economia.

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“A sociedade também precisa buscar um método eficiente de distribuição de renda, que no Brasil apresenta um dos piores índices do mundo, sendo que o salário mínimo em patamares compatíveis com as necessidades das pessoas é um bom instrumento para isso”, finaliza.