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CEO da BRF grava vídeo falando sobre o não pagamento de PLR: ''não é uma obrigação da empresa''

A BRF comunicou na semana passada que os funcionários das unidades onde o benefício existe não receberão a PLR por conta do prejuízo registrado pela empresa em 2016, de R$ 372 milhões

Pedro Faria BRF
(Reprodução/YouTube)

SÃO PAULO – Um vídeo gravado pelo CEO da BRF, Pedro Faria, e divulgado internamente na empresa, tem circulado nas redes sociais nesta terça-feira (7). Na gravação, o executivo comenta sobre o não pagamento da PLR (Participação nos Lucros e Resultados) aos funcionários da empresa.

A BRF comunicou na semana passada que os funcionários das unidades onde o benefício existe não receberão a PLR por conta do prejuízo registrado pela empresa em 2016, de R$ 372 milhões, também anunciado na última semana.

No vídeo, Faria diz que a PLR não é uma obrigação da companhia com seus funcionários: “simplesmente, ele simboliza que estamos todos juntos nessa jornada”, diz. “Eu assumo integralmente a responsabilidade desses resultados, como líder maior da organização. E falo isso de um lugar especial, pois na verdade, já como presidente em 2015, tive a oportunidade de anunciar os resultados recordes da BRF, que geraram o maior pagamento de PLR para os nossos funcionários que a companhia já tinha feito. É para esse cenário que eu quero voltar junto com vocês”, continuou o presidente da empresa; ele ainda ressalta que o pagamento do benefício não deve representar um compromisso a mais da empresa com seus funcionários.

“Estamos em um cenário difícil por uma situação que não controlamos: tivemos uma pressão forte sob nossas matérias-primas, o que fez com que nossas margens ficassem pressionadas, e também encontramos um cenário econômico muito difícil, onde alguns dos nossos clientes não puderam ou tiveram a capacidade de pagar aquilo que merece ser pago pelos nossos produtos. Isso tudo parece estar ficando para trás à medida em que estamos olhando um cenário bem melhor pela frente, em que podemos voltar a ter resultados diferentes”, disse.

Faria finaliza fazendo um “apelo” aos funcionários da empresa: “conto que vocês podem trabalhar muito fortemente neste sentido, assim como eu também vou, pois ninguém é mais forte que nós” juntos”.

Posicionamento da empresa
Procurada pelo InfoMoney, a BRF explicou em comunicado que “o não pagamento do benefício considera o resultado aferido no exercício de 2016, divulgado aos funcionários e ao mercado em 23 de fevereiro”. Confira abaixo o pronunciamento na íntegra:

“A BRF esclarece que as regras de pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) são transparentes e amplamente divulgadas para todos os colaboradores da Companhia. O não pagamento do benefício considera o resultado aferido no exercício de 2016, divulgado aos funcionários e ao mercado em 23 de fevereiro. A companhia sempre trabalha para obtenção de resultados que possibilitem o pagamento de PLR, resultados esses que não foram atingidos no ano de 2016. O cenário brasileiro e os desafios de pressão de custos são de conhecimento amplo dos colaboradores e as razões fundamentais para o não pagamento do PLR, como esclarecido pelo CEO Global, Sr. Pedro Faria. De qualquer forma, a BRF reitera que sempre esteve e está disposta a dialogar com os Sindicatos e entidades representativas na busca do que seja melhor para seus colaboradores, dentro das regras existentes e das possibilidades econômicas.”

Mobilização
Segundo informações da Reuters, o presidente da CNTA Afins (Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins), Artur Bueno de Camargo, que durante todo o ano de 2016 a empresa sinalizou que os funcionários estavam atingindo as metas de produção e qualidade que, ao final do período, garantem o pagamento da PLR.

Uma reunião será organizada nesta quarta-feira (8) para discutir o assunto e “apresentar uma pauta unificada” entre as federações e representantes de sindicatos.

Assista a seguir ao vídeo gravado por Pedro Faria:

 

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