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Nômades de carreira ganham mais, terão emprego no futuro e estão em todas as gerações

Estudo da Korn Ferry enviado com exclusividade ao InfoMoney mostra que esse novo tipo de profissional está se tornando uma tendência no mercado de trabalho

Mulher manuseando um notebook e um celular
(Shutterstock)

SÃO PAULO – Anos atrás, o profissional conhecido como “pula-pula”, que passava por muitos empregos durante pouco tempo, não era bem visto no mercado de trabalho por não conseguir completar ciclos em suas passagens. No entanto, hoje em dia, um tipo de profissional semelhante vem ganhando cada vez mais destaque: o “nômade de carreira”.

Um estudo da consultoria de carreira Korn Ferry, enviado com exclusividade ao InfoMoney, mostra que os “nômades de carreira são pessoas de alta performance, que se deslocam proativamente de um emprego para outro, mudando de papéis, empresas ou mesmo carreiras com mais frequência do que a média dos outros profissionais”.

O levantamento analisou 162 organizações e 683 indivíduos sobre suas atitudes e preferências em relação à nomadicidade na carreira.

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“São pessoas talentosas, orientadas para a aprendizagem e que buscam desafio. Os empregadores identificam esse tipo de funcionário conversando e entendendo sua trajetória profissional”, explica Maria Alice Mendes, diretora na área de recrutamento executivo da Korn Ferry.

Entre algumas características identificadas pelo estudo em nômades de carreira estão a tolerância a mudanças, curiosidade, capacidade de influenciar pessoas e abertura ao que é diferente. Além disso, são profissionais mais “generalistas” do que “especialistas” porque lidam com funções em diferentes tipos de empresas.

Melhores salários e empregos na era dos robôs 

Maria Alice explica que usualmente os nômades de carreira têm salários melhores do que os de profissionais de outro perfil.

“Como se mudam muito de uma empresa para outra ganham alavancagem de remuneração e pode negociar melhor seus salários, porque geralmente são talentos que as companhias estão buscando. Mas eles precisam seguir as características de nomadicidade para terem valor. Para a empresa aceitar pagar um salário mais alto que a média, tem que performar”, diz.

Ainda, a especialista afirma que os nômades de carreira têm um diferencial competitivo: com a chegada da Inteligência Artificial, muitas profissões vão desaparecer, e profissionais multitarefas vão se destacar mais que especialistas em apenas uma função.

O estudo afirma que é possível que 80% dos empregos de hoje não existam mais em 10 anos. “Nesse caso, os nômades da carreira serão o grupo de talentos mais pronto para enfrentar algo novo, considerando que se adaptam rapidamente para atender às necessidades de negócios”.

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Todo mundo pode ser nômade

Profissionais desse tipo estão se tornando tendência e se engana que apenas millennials se encaixam nessa categoria. “A geração mais nova entra no mercado de trabalho com essa possibilidade já ‘instalada’, mas se olhar o contexto macro todo mundo independente da geração muda de trabalho a depender da vida e do momento no emprego atual. Profissionais de qualquer geração podem ser nômades de carreira”, afirma Maria Alice.

Ainda, o estudo diz que a geração baby boomer (nascidos entre 1957 e 1964) trocava mais de emprego do que os profissionais nascidos em meados dos anos 80 (geração Y).

“Embora a nomadicidade na carreira possa ter tido um aumento nos últimos anos, a mediana da ocupação do emprego é realmente mais alta do que era no início dos anos 90. Nascidos no início dos anos 80 mantinham em média de sete empregos entre 18 e 30 anos, enquanto os baby boomers mantinham 8 empregos no mesmo período”, diz o estudo.

Maria Alice ressalta que atualmente a média dos nômades são ciclos 4 anos em cada empresa considerando todas as gerações. “É incomum encontrar pessoas que estão há 10 anos na mesma companhia. Todo mundo pode ser um nômade de carreira é um fenômeno da vida da pessoa. Além disso, não há nível de senioridade. O nômade pode ser identificado no início, meio ou fim da trajetória profissional”, explica.

O estudo cita que funções em áreas como TI, marketing, tecnologia digital, novos mercados e unidades de negócios são mais propícias a contratarem profissionais “nômades”.  

Desafio: gestão desses talentos 

Se engana quem acredita que o estudo é conclusivo. Pelo contrário: não há indícios de que esse tipo de profissional seja melhor ou pior do qualquer outro perfil, é apenas mais uma tendência que vem sendo observada.

“Não é melhor ou pior. Para a empresa ter nômade de carreira é interessante já que ele pode ajudar a performar mais. Por outro lado, ter profissionais de longo prazo na empresa também faz parte da estratégia de sucesso, já que contam com muita experiência em determinado assunto”, explica Maria Alice.

E isso é refletido no estudo: 85% das organizações entrevistadas valorizam pessoas com formação multidisciplinar, enquanto 93% preferem candidatos com profundo conhecimento e experiência em seu campo.

Há alguns contratempos com esse tipo de profissional. A pesquisa ressalta o desafio para as empresas de lidar com os nômades de carreira: com ciclos curtos em cada empresa, de no máximo quatro anos, essas pessoas podem se tornar um grande custo para a companhia.

As empresas estão tentando reduzir a rotatividade de talentos de alta performance, essenciais para a estabilidade e o crescimento dos negócios. Mas, com as pessoas mudando para novos empregos a cada quatro anos, com média de 12 a 15 empregos ao longo de suas carreiras, é natural que esse processo esteja custando alto, de acordo com o estudo.

De fato, entre as 500 maiores empresas listadas na Fortune, 44% veem um custo médio de US$ 58 milhões por ano devido à nomadicidade da carreira, enquanto 56% têm um benefício líquido médio de US$ 46 Milhões por ano. Assim, na prática, ainda não dados conclusivos sobre grandes vantagens em ter nômades de carreira na companhia, justamente pela alta rotatividade.

E estudos sobre retenção de talentos podem trazer a solução. “Aplicar práticas de gestão de talentos pode diminuir em até 77% os custos das empresas com esses profissionais”, afirma Maria Alice.

Entre as principais maneiras de se fazer isso estão: oferecer um plano de carreira bem desenvolvido, o que poderia gerar uma redução de 21% nos custos; dar suporte para um equilíbrio vida-trabalho (redução de 13%); e desenvolver as lideranças (estudo mostra redução de 11% nos custos quando os funcionários se sentem inspirados pelos seus líderes).

“Os benefícios e salários aparecem apenas em quarto lugar, mostrando que os profissionais hoje não têm como prioridade inicial belos salários”, afirma a especialista.

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