No Japão, três quartos dos jovens estão desmotivados com o trabalho

Pesquisa também constatou que metade dos entrevistados deixaria seu emprego se tivesse a oportunidade

SÃO PAULO – Os japoneses são tradicionalmente conhecidos por sua determinação profissional. Muitas vezes, os funcionários já colocaram seus objetivos e responsabilidades do emprego antes das prioridades pessoais. Porém, este quadro está começando a mudar.

Desde o fim dos anos de rápido crescimento que seguiram a bolha econômica dos anos 90 e a estagnação que se seguiu, os jovens japoneses vem procurando estilos de vida mais individualistas, o que se reflete claramente no mercado de trabalho.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Nomura de Pesquisa com mil trabalhadores jovens, com idade entre 20 e 30 anos, mostrou que a maior parte deles, cerca de três quartos, diz não se sentir motivada com a sua função.

Mais individualidade

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Segundo os jovens entrevistados, seus empregos não lhes proporcionam a sensação de desenvolvimento e evolução pessoal, além de não terem uma significação social.

Metade dos entrevistados declarou que deixaria seus empregos se tivesse a oportunidade. Porém, esses mesmos jovens afirmaram estar dispostos a permanecer no emprego caso seus salários fossem aumentados ou tivessem a possibilidade de expressar suas individualidades.

Além disso, o país conta com cerca de meio milhão NEETS, como são chamados os jovens que não estão trabalhando nem estudando, seja na educação formal ou técnica, enquanto o número de freeters, os que vivem de empregos temporários, trocando de tempos em tempos, continua crescendo, evidenciando que o perfil da sociedade japonesa está se modificando.