No Japão, alunos já podem escolher seus professores

Iniciativa pioneira de um colégio público de ensino médio permitiu que estudantes escolhessem os seus conselheiros; medida gerou controvérsia entre especialistas

Aprenda a investir na bolsa

SÃO PAULO – Foi-se o tempo em que a opinião dos professores era soberana nas salas de aula. No Japão, um colégio estadual decidiu inovar e testar um método usado por alguns particulares: permitir que os alunos do colegial escolham seus próprios mestres.

Hoje em dia, os estudantes não se levantam mais para receber seus educadores, não os chamam de senhor e nem se acanham durante uma reprimenda, muitas vezes discutindo e chegando a ser desrespeitosos com eles.

Por outro lado, são menos freqüentes os abusos por parte dos adultos em sala, já que a cultura da imposição de respeito através do medo na educação já não tem mais espaço no ambiente escolar.

A escolha é deles

Aprenda a investir na bolsa

Nesse contexto, o Kochi Marunouchi High School, instituição de ensino exclusiva para o Ensino Médio público do Japão, resolveu adotar uma tática diferente para escolher seus conselheiros escolares. Divididos em grupos, os alunos se reúnem diariamente com o conselheiro escolhido para reportar a respeito dos assuntos relacionados ao ensino.

Em dezembro, contudo, os estudantes do colégio tiveram de escolher quatro educadores a partir de uma lista com vinte opções de currículos com fotos e dados como suas crenças em relação à educação ou o método de ensino.

Os escolhidos deveriam ser colocados em ordem de preferência, sendo que cada tutor será alocado para uma sala composta por 15 estudantes. Caso muitos estudantes optem pelos mesmos tutores, a classe será formada através de um sorteio.

Não há notícias de outro colégio público que tenha tomado essa iniciativa, o que faz do Kochi Marunouchi High School um pioneiro.

Os alunos gostaram, mas os tutores…

Os alunos estão felizes com a mudança. Tendo a possibilidade de escolher seus próprios mestres, eles sentem que têm mais chances de estudarem com uma pessoa que os entenda e acham que correm menor risco de se verem presos o ano inteiro com conselheiros ruins ou chatos.

Porém, do outro lado da moeda, os educadores se preocupam. Alguns alegam que a iniciativa pode ser perigosa, pois não há nenhuma maneira de se verificar quais são os critérios usados pelos alunos nas escolhas. Um especialista médico do Sanraku Hospital, em Tóquio, chegou a alertar sobre a possibilidade de o novo método aumentar o estresse dos educadores, que já é alto, pois esses se sentirão pressionados a apresentar melhores performances em busca de popularidade entre os estudantes.

PUBLICIDADE

O diretor da instituição, Kosaku Hamada, diz entender a ansiedade que a mudança pode trazer aos conselheiros, porém alega que o poder de escolha trará mais confiança e responsabilidade aos alunos. Um membro do Ministério da Educação admitiu que, apesar de não se ter certeza dos resultados, esta é, sem dúvida, uma proposta única, que merece ser acompanhada, já que o país se preocupa com a rigidez do seu sistema de ensino.