Nível de emprego na indústria caiu 0,9% em 2002, segundo IBGE

Folha de pagamento recuou 2,4% e o número de horas pagas diminuiu 1,3%, maiores pressões negativas vieram de SP e RJ

SÃO PAULO – Segundo a Pesquisa Mensal de Emprego e Salário (PIMES) do IBGE divulgada nessa quarta-feira, o nível de emprego na indústria brasileira acumulou queda de 0,9% durante o ano passado. Por sua vez, a folha de pagamento caiu 2,4% e o número de horas pagas caiu 1,3% no mesmo período.

Nível de emprego recuou 0,9% em 2002

Apesar de ter fechado o ano em queda, o indicador acumulado revela que o mercado de trabalho industrial apresentou uma trajetória de suave recuperação no final do ano.

Dentre as regiões analisadas, o maior número de vagas fechadas foi encontrado na Região Sudeste, prejudicada pela forte queda no número de vagas em seus dois principais estados: São Paulo (-2,9%) e Rio de janeiro (5%). Em sentido contrário, as
Regiões Norte e Centro-Oeste registraram crescimento de 1,5% no número de vagas.

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Na análise setorial, a queda mais acentuada foi registrada pelo segmento de máquinas e aparelhos eletro-eletrônicos e de comunicações, que registrou queda de 11,8% durante o ano passado. Todos as 12 segmentos industriais registraram recuo no número de vagas geradas no ano passado.

Folha de pagamento caiu 2,4% em 2002

Por sua vez, o valor da folha de pagamento da indústria caiu 2,4% no acumulado do ano passado, uma redução bem mais acentuada do que a registrada no nível do emprego.

Esta tendência reflete as fracas condições do mercado de trabalho e os efeitos do aumento da inflação na segunda metade do ano, o que culminou com uma redução na folha média de pagamento de cerca 1,5% no período.

Ao final do ano passado, apenas nove dos 14 locais pesquisados efetivamente registraram um aumento no valor da folha de pagamento, mas as reduções observadas no principal parque fabril do país, São Paulo e, conseqüentemente, na região Sudeste, fizeram com que o resultado nacional fosse negativo. O maior crescimento na folha de pagamento foi registrado na região Norte e Centro-Oeste (5,5%). Em seguida ficou a região Sul (1,4%), beneficiada pelo aumento de 2% na folha do Rio Grande do Sul e de 2,1% na de Santa Catarina.

Em termos setoriais, houve redução no valor da folha de pagamento em 11 setores investigados, sendo que a indústria produtora de máquinas e aparelhos eletro-eletrônicos e de comunicações (-17,4%) registrou a maior retração, seguida pelos produtos químicos (-5,1%) e pelos de meios de transporte (-4,4%). Em sentido oposto, a indústria de alimentos e bebidas (4,8%) foi responsável pela maior contribuição positiva ao índice, apesar da maior taxa de crescimento (12,9%) ter ficado com o setor de refino de petróleo e produção de álcool.

Número de horas pagas caiu 1,3% no ano

No que refere ao indicador de número total de horas pagas pelo setor industrial acumulou queda de 1,3% em 2002. Apesar de ter fechado o ano em queda, o indicador registrou conseguiu pelo menos reduzir as fortes quedas no início do ano.

A maior pressão negativa ficou com a indústria de máquinas e aparelhos eletro-eletrônicos e de comunicações (-12,4%), realizou a maior pressão negativa, seguida por outros produtos da indústria de transformação (-6,2%), enquanto a principal influência positiva veio da indústria de alimentos e bebidas (+4,6%).
Mais uma vez São Paulo e Rio de Janeiro foram os locais que mais pressionaram para o recuo nas horas pagas na indústria, com queda de 3,6% e 5,2% respectivamente, enquanto Santa Catarina se destacou favoravelmente ao registrar crescimento de 3,1%.