Na hora da demissão, culpa é o sentimento que prevalece

A maneira como é conduzido o desligamento deve ser observada com cautela; efeito desta medida pode afetar o processo de recolocação do trabalhador

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SÃO PAULO – Ninguém, obviamente, quer ser demitido. No entanto, poucos, na hora de tomar a decisão de demitir alguém, colocam-se no lugar deste funcionário.

Tal medida, bastante simples, amenizaria, e muito, o “estrago” que este acontecimento acarreta. O fato de ser demitido, independente do motivo alegado pela empresa, gera ao trabalhador uma mescla de sentimentos: medo, rejeição, raiva e ansiedade são alguns deles, mas a culpa é o sentimento que prevalece.

Mesmo quando o motivo é outro, a culpa fala mais alto

Pesquisa realizada pelo Instituto Amigos do Emprego, em 2005, aponta que 76% dos trabalhadores acabam se sentindo culpados pela perda de emprego, mesmo quando a demissão foi atribuída a um processo de reestruturação da empresa, onde vários funcionários foram demitidos.

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Segundo Gilberto Guimarães, presidente da Ong, a culpa é o sentimento que mais afeta um processo de recolocação, pois está muito relacionada à auto-estima. Pensando nisso, faz um alerta: “é preciso que as empresas comecem a perceber o problema do desemprego de uma maneira mais individual, mais humana”.

Cautela nunca é demais

Por estas e outras, todo o cuidado é pouco na hora de demitir alguém. Cabe à empresa adotar uma política bem clara quanto ao processo de desligamento de um funcionário.

Pensando nos efeitos que esta decisão irá acarretar na vida deste trabalhador, dedique-lhe tempo para explicar os motivos da empresa e ouvir também o que ele tem a dizer. Não é preciso exagerar nos detalhes e apontar tanto os erros, pois isso só fará com que o funcionário se sinta pior.

Dependendo do porte da empresa e dos fatores que a levaram a optar por este desligamento, é interessante oferecer a este empregado os serviços de outplacement, ou recolocação.

Guimarães aponta a vantagem: “os profissionais apoiados por estes programas conseguem se colocar em prazos muito mais curtos, em média em um quarto do tempo que levam os profissionais sem este apoio”.