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SÃO PAULO – Pesquisa realizada pela consultoria de recursos humanos Mercer revelou que 25% das empresas efetuaram alguma redução no quadro de pessoas nos últimos quatro meses – entre novembro de 2008 e fevereiro deste ano. O percentual de reduções ficou entre 10% e 25% do quadro de funcionários.
A área que sofreu maior redução foi a de apoio corporativo (como no caso dos departamentos de Recursos Humanos ou de Finanças), com 45% do total. Em seguida, vieram a industrial/operações (25%), a comercial (20%) e outras (10%).
“Todas as empresas esperam resultados menores em 2009. Os preços das commodities caíram, a demanda caiu, então as empresas começaram a demitir. Se você analisar o número de funcionários que elas possuem, são milhares de pessoas que foram para as ruas”, afirmou o diretor de Desenvolvimento de Negócios da Mercer, Marcelo Ferrari.
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Ainda de acordo com ele, as empresas não costumam demitir aos poucos. Elas o fazem de uma só vez, para que não fique entre os empregados a dúvida: “será que serei o próximo?”.
As empresas
A pesquisa detectou que os setores que mais demitiram foram os de construção civil – definido por Ferrari como uma “terra arrasada” -, automobilístico e toda a cadeia, empresas de commodities (frigoríficos, metais) e bancos de maneira geral, principalmente de investimentos.
Por outro lado, os setores menos impactados pela crise foram o farmacêutico; TI (tecnologia da informação), uma vez que as empresas precisam desse tipo de profissional para reduzir custos em meio à crise; e o de bens de consumo.
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Nos setores em que houve corte, Ferrari afirmou que ele foi generalizado, ou diagonal, o que significa que atingiu todos os níveis hierárquicos, a exemplo da Embraer, que demitiu executivos e engenheiros especializados. “Não há sentido em cortar só no nível menor”, disse o diretor da Mercer, em referência ao objetivo de se cortar custos.
Expectativa
De acordo com os dados, 20% das empresas têm a expectativa de redução de pessoal até o final de 2009. O percentual está entre 10% e 20%.
A pesquisa foi realizada com 171 empresas, sendo 25% do mercado financeiro, 50% da indústria e 25% do setor de serviços.
Na amostra, 40% das companhias têm capital aberto. Além disso, 40% são nacionais. Por fim, mais da metade das empresas ouvidas (65%) possui acima de 1.001 funcionários e, em 30% dos casos, o faturamento é acima de US$ 1 bilhão anuais.