Mundo corporativo: profissionais não usam jargões de maneira correta

Segundo consultor, eles querem apenas mostrar poder e acabam por prejudicar a comunicação com outros membros da equipe

SÃO PAULO – Nada mais do que expressões ou palavras comuns a um grupo de profissionais, os jargões corporativos não costumam ser usados de maneira correta pelos brasileiros.

“Os profissionais usam para mostrar que são importantes, que têm poder e que são inteligentes, para adquirir um certo status”, afirmou o consultor sênior da MOT (Mudanças Organizacionais e Treinamento), Alberto Ruggiero.

Imaturidade

No entanto, as conseqüências do uso irracional dos jargões são sérias. Em primeiro lugar, segundo o consultor, a atitude mostra que a pessoa não tem maturidade suficiente para se comunicar com os demais membros da equipe, quer apenas ter destaque.

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“Acontece independente de a pessoa ser líder. Deveria acontecer menos com o líder já que pressupõe-se que eles têm mais maturidade, mas não é o que acontece”, disse Ruggiero.

Segundo o consultor, no mundo corporativo brasileiro, os profissionais sempre usaram de maneira errada os jargões e a tendência é piorar, já que a concorrência no mercado de trabalho se acirra, e as pessoas devem se expor mais, para mostrar que sabem muito sobre a área em que atuam.

Comunicação

Os advogados, por exemplo, abusam de termos em latim, enquanto os médicos costumam dizer nomes de doenças e tratamentos não conhecidos pelos pacientes e os economistas usam muito fórmulas e índices que a população em geral ignora.

O problema maior, porém, é quando alguém da área de atuação do profissional desconhece o jargão utilizado por ele. “O colega não entende e tem vergonha de perguntar, o que prejudica o diálogo”.

Para ter uma comunicação clara, Ruggiero indica que o profissional peça para a pessoa repetir o que foi dito, que seja simples com as palavras escolhidas e, o mais importante, que seja objetivo.

“O brasileiro tem dificuldade em ser objetivo porque ele é muito passional. Quando é para criticar o comportamento de um colega, como no feedback, ele enrola e muitas vezes nem fala o que queria dizer. Aí, geram-se conflitos”, afirmou.