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Mulheres negras: estudo evidencia a discriminação no mercado de trabalho

Pesquisa realizada pelo Ipea e Unifem mostra que os homens brancos são mais favorecidos em relação ao emprego e renda

SÃO PAULO – Enquanto cerca de 50% das mulheres encontram-se empregadas ou à procura de empregos, o percentual entre os homens sobe para 73%.

A diferença significativa reflete a divisão sexual dos trabalhos, falta de apoio às mulheres com filhos (como boas creches) e a não consideração da importância das donas de casa para a economia do País, conforme estudo divulgado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) junto com o Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem).

O levantamento trata ainda da distinção entre as raças no mercado de trabalho, e como era de se esperar, a situação do trabalhador negro, assim como da mulher, ainda é desfavorável.

Taxa de desemprego

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Em 2003, por exemplo, a taxa de desemprego entre os negros e mulheres era de 12,6% e 12,4%, respectivamente. Entre os homens, este patamar era bem menor, de 7,8%, enquanto entre os brancos não passava de 10,6%.

E a situação não melhorou nos últimos anos. De acordo com o estudo, o crescimento das taxas de desemprego foi mais intenso entre negros e mulheres desde 1996. Enquanto o aumento para homens e brancos foi de 2,1 e 3 pontos percentuais, respectivamente, entre mulheres e negros as taxas subiram 3,5 pp e 3,8 pp.

Para ilustrar melhor a persistente discriminação no mercado de trabalho, basta analisarmos as taxas de desemprego entre as mulheres negras e homens brancos, que detêm, respectivamente, os “piores” e “melhores” empregos do mercado.

Entre elas, que sofrem discriminação duas vezes (por serem mulheres e negras – aqui também há discriminação dentro dos empregos femininos), a taxa chegou a 16,6% em 2003. Na ala masculina este percentual cai pela metade, para 8,3%.

Mulheres e negros: informalidade e ocupações precárias

No que se refere à posição na ocupação, enquanto 34,5% dos brancos possuem emprego formal e outros 5,9% são empregadores, 25,6% dos negros são registrados em carteira e 2,3% possui algum tipo de negócio com empregados. Por outro lado, 22,4% dos negros trabalham sem carteira assinada.

Outro dado da pesquisa: 17% das mulheres são empregadas domésticas e a maioria é formada por negras sem registro na carteira de trabalho. Entre as profissionais, 26%, independente da função, têm carteira assinada contra 33,3% dos homens. A diferença também ocorre entre aquelas que são empregadoras (2,6% das mulheres e 5,5% dos homens).

Rendimento

Finalmente, em relação ao salário pago no mercado de trabalho, os homens, em 2003, recebiam R$ 695,4 ao mês na média, enquanto as mulheres recebiam 2/3 deste valor, ou R$ 439,90. Por raça, o salário médio de um branco chegou a R$ 769 por mês, contra os R$ 369 recebidos pelos negros.

Ao se analisar os “extremos” da pesquisa, os número revelam que as mulheres negras recebiam, naquele ano, o equivalente a 30% do rendimento médio dos homens brancos.