Mulheres ganham menos que homens, mas participam cada vez mais da renda

Elas ganham 30% menos do que os homens, mas chefiam cada vez mais as famílias e contribuem mais com a renda de casa

SÃO PAULO – A contribuição financeira das mulheres chefes de família cresceu 13,6 pontos percentuais entre 1991 e 2000, e passou de 24,1% para 37,7% no período, de acordo com estudo SNIG (Sistema Nacional de Informações de Gênero), divulgado nesta segunda-feira (22) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que tomou como base os Censos Demográficos de 1991 e 2000.

De acordo com o estudo, essa participação maior da chefe de família se deve à sua inclusão no mercado de trabalho e ao aumento de famílias chefiadas por mulheres. Em 2000, 27% das 48,2 milhões de famílias brasileiras tinham uma mulher na liderança de casa.

Mulheres de baixa renda

O levantamento informa que, dentre as famílias com os menores rendimentos, 28,2% delas recebiam até meio salário mínimo per capita em 2000. Outro dado alarmante é que 44% dessas famílias contavam com crianças de até seis anos de idade, faixa-etária em que os serviços essenciais, como creches, precisam ser garantidos.

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O IBGE informa, ainda, que a maior parte dessas residências se concentra no Norte do País. Em 2000, os municípios com o maior percentual de famílias lideradas por mulheres que ganhavam até meio salário mínimo eram Santa Rosa do Purus (AC, 100% dos casos), Ipueiras (TO, 100%), e Carmolândia (TO, 93,4%).

O estudo informou também que, quanto maior é o número médio de pessoas na família, menor também é o rendimento familiar. No ano 2000, diz o IBGE, as famílias eram compostas, em média, por 3,5 pessoas, enquanto nas casas com renda per capita de até meio salário, essa ponderação chegava a 4,2 pessoas. Quando a mulher chefia as casas com esta mesma faixa de renda, no entanto, esse número cai para 3,3 pessoas.

Mulheres ganham 30% menos do que os homens

Mas as desigualdades proporcionadas pelas diferenças salariais não terminam por aí. O levantamento garante que as mulheres brasileiras recebiam aproximadamente 70% da renda masculina no ano 2000. “Uma parcela dessa desigualdade pode ser explicada pela concentração de mulheres no setor de serviços e em ocupações de baixa remuneração e qualificação”, analisa o IBGE.

Depois de deflacionados os salários para melhor comparação, o estudo notou que o número de famílias chefiadas por mulheres com rendimento abaixo de um salário mínimo em 2000 (R$ 151,00) caiu na década avaliada. Mesmo assim, as microrregiões do Nordeste permanecem como as que detêm as menores remunerações.

As maiores diferenças entre os salários de homens e mulheres, no entanto, se dá no Centro-Oeste, Sudeste e Sul do País, regiões em que as trabalhadoras ganham menos de 70% que os homens. “No Norte e Nordeste, a igualdade de rendimentos é maior, uma vez que, em relação ao resto do País, os salários são menores nestas áreas tanto para homens quanto para mulheres”, explica o instituto.

Diferença de cor

De acordo com o IBGE, essa diferença salarial também é maior no Sul, Sudeste e Centro-Oeste quando a “cor” da pele (segundo classificação do próprio órgão) dos indivíduos é levada em consideração. “Em todas as regiões, pretos e pardos ganham menos do que brancos”, constata o estudo. “Em 40% das microrregiões, o rendimento de pretos ou pardos corresponde a 50% ou 60% do rendimento dos brancos”.

Se os salários das mulheres pretas ou pardas forem avaliados, essa diferença é ainda mais alarmante. No ano 2000, elas recebiam cerca de 51% do rendimento médio pago às mulheres de cor branca. Destaque para as porções urbanas do País e para a região Sul, onde essa proporção é ainda menor: 50,6%. Mas é o Rio de Janeiro, com 48,6%, o estado com a maior diferença, contrastando com as zonas rurais do Norte e Nordeste, que detinham as menores concentrações de desigualdade.