Mulheres e negros recebem menores salários do comércio paulistano

Salário das mulheres corresponde a 70,7% do salário dos homens; negros recebem 54,5% do rendimento dos não-negros

SÃO PAULO – Os negros recebem uma remuneração praticamente equivalente à metade do que recebe um trabalhador não-negro. O estudo, divulgado nesta terça-feira, dia 16 de dezembro, pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio Econômicos) e Sindicato dos Comerciários de São Paulo reflete o comportamento do rendimento real médio dos ocupados no comércio na capital paulista entre 1995 e 2003.

Negros ganham 54,5% dos salários de não-negros

A análise dos dados conforme a cor do trabalhador revela uma situação bastante grave, embora tenha apresentado sinais de melhora ao longo dos últimos oito anos. De acordo com a pesquisa, o salário dos negros – considerando aqui pretos e pardos – equivalia a 50,8% do salário de um não-negro em 1995. Baseado nos números de setembro de 2003, a diferença caiu e agora equivale a 54,5% do salário de um não-negro.

Em valores reais, há oito anos a remuneração dos negros era de R$ 840, enquanto os não-negros recebiam R$ 1.653 em 1995. Ainda de acordo com o estudo, em 2003 a remuneração dos negros trabalhadores do comércio paulistano caiu para R$ 513, uma perda de 38,9% em quase nove anos. Em relação aos não-negros, a renda em 2003 passou para R$ 942, configurando uma perda maior, de 43%.

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Embora os trabalhadores não-negros tenham sentido uma perda maior da redução de seu rendimento entre 1995 e 2003, os negros não têm muito o que comemorar, haja vista que o rendimento real médio que recebem ainda está muito atrás da remuneração dos não-negros.

Mulheres também ganham menos

O mesmo acontece com as mulheres em levantamento semelhante segundo gênero. Não importando o setor de atividade, as mulheres sempre receberam rendimento inferior ao dos homens. No entanto, como os homens tiveram uma perda maior (45,4%) do que as mulheres (36%) em termos de rendimento nos últimos oito anos, a diferença no rendimento recebido entre os sexos foi reduzida entre 1995 e 2003.

Em 1995, as mulheres mantinham um rendimento médio de R$ 996 e os homens de R$ 1.649, isto é, o salário das mulheres correspondia a 60,4% do salário dos homens. Neste ano, o rendimento médio dos comerciários homens passou para R$ 901 e os das mulheres para R$ 637, resultando na redução da diferença no rendimento entre os sexos, que passou a ser de 70,7%.