Mudou de emprego? Adaptação é processo lento e que exige paciência

Para evitar frustração, a decisão de mudar de organização deve ser muito bem avaliada, considerando valores e plano de carreira

SÃO PAULO – Mudar de empresa não é algo fácil. O profissional deverá passar por um importante período de adaptação, o que exige paciência. Será preciso conhecer a equipe, adaptar-se ao ambiente, entender se os valores dele realmente se encaixam com os da empresa e se ele de fato é capaz de entregar o que é esperado.

A grande questão é: quanto tempo leva essa adaptação? Especialistas em gestão de carreira concordam que não existe uma fórmula, mas, para reduzir esse tempo e evitar ao máximo frustrações com a troca de empresa, é importante entender, da forma mais clara possível, tudo sobre a nova empresa, sem deixar se influenciar apenas por um salário mais interessante.

Portanto, é recomendado avaliar, durante o processo seletivo, quais as características da nova empresa, se os valores combinam com os do candidato, se a empresa oferece um plano de carreira que atendam aos desejos do profissional e os demais aspectos que considerar relevante. Inclusive, conversar com profissionais da empresa e mesmo fazer pesquisas na internet.

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Feito isso e tomada a decisão de mudar de empresa, será preciso esperar alguns meses para fazer uma análise no sentido de entender se a escolha realmente foi assertiva. Apesar disso, as impressões já devem começar a ser coletadas desde o primeiro dia.

De acordo com a professora do núcleo de gestão de pessoas da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), Fátima Motta, o profissional deve estar, desde o começo, atento aos aspectos que julga importantes em uma empresa, pois são essas informações que vão permitir a ele analisar se realmente fez uma escolha certa. Dependendo do caso, essa análise pode até motivar uma nova mudança.

Comparando com a posição anterior
É importante compreender se a nova posição satisfaz o profissional, se está de acordo com seus valores e desejos e se vai proporcionar, por exemplo, a segurança ou o status pelo qual ele anseia.

Fazer comparações com a posição anterior, porém, não é recomendado, analisa a master coach da Sociedade Brasileira de Coaching, Richeli Sachetti. A coach entende que, quando os indivíduos se deparam com algo novo, automaticamente o cérebro recorre às experiências anteriores. Apesar de ser algo natural, o passado é passado e, se for para olhar a posição antiga, que isso seja feito apenas com o objetivo de melhorar a atuação atual.

Na prática, se o profissional observa que na nova empresa algum processo não é tão dinâmico quanto era na posição anterior, ao invés de se lamentar ou ficar na dúvida se fez a escolha certa ou não, ele deve entender quais eram os motivos que faziam com que determinado processo andasse bem na empresa anterior e tentar aplicar a lição na nova empreitada.

No caso da adaptação com os membros da equipe, é importante entender que isso leva tempo. “Todo relacionamento é construído”, lembra Fátima. Ou seja, se o profissional estiver pensando que não se deu bem com a equipe, ele precisa avaliar que atitudes tomar para reverter essa situação e não ficar remoendo o passado.