Mitos do café: estudos revelam efeitos positivos como redução do colesterol

Café está associado a males do estômago, à osteoporose e à agitação que causa dependência. Pesquisas contestam

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SÃO PAULO – Quem resiste ao cheirinho bom de café que é emanado da cozinha todas as manhãs? Quem não depende dele para se manter acordado durante o dia, no trabalho? E quem não gosta de um saboroso cafezinho após o almoço? A verdade é uma só: apesar das recomendações médicas, o café continua sendo a bebida preferida dos brasileiros.

O problema é que o café está associado a males do estômago, à osteoporose, à ansiedade e à agitação. Certamente, o consumo moderado do café é o ideal. No entanto, engana-se quem imagina que a bebida é somente nociva à saúde.

De acordo com o presidente da ONG Instituto Ortopedia e Saúde, Fabio Ravaglia, algumas linhas de pesquisa conduzidas por especialistas de diversos países têm revelado os efeitos positivos do café, entre eles: reduzir o colesterol, auxiliar no combate a doenças coronarianas, combater a depressão e diminuir o risco de mal de Parkinson.

Benefícios

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Segundo o cientista da Vanderbilt University´s Institut for Coffee Studies, Tomas DePaulis, nas últimas décadas, foram realizadas 19 mil pesquisas sobre os efeitos da bebida na saúde, sendo que a maioria delas revela que o café traz mais benefícios do que malefícios.

Inclusive, ao contrário da crença generalizada, há indícios de que o café não causa dependência, por isso, desde 2004, a cafeína não consta mais na lista da Agência Mundial Anti-Doping.

De qualquer maneira, há controvérsias. Alguns médicos psiquiatras defendem que a cafeína é contra-indicada em casos de depressão, porque altera o humor das pessoas, enquanto outros afirmam que os efeitos indesejáveis somente ocorrem com o consumo em excesso.

Ravaglia enfatiza que o café é composto por potássio, zinco, ferro, magnésio, minerais, aminoácidos, proteínas, lipídeos, açúcares, polissacarídeos e polifenóis antioxidantes (ácidos clorogênicos).

Mitos e benefícios

A idéia difundida popularmente é de que a cafeína pode acelerar processos de osteoporose. No entanto, o componente não tem poder para interferir na absorção de cálcio, que é controlado por uma série de hormônios e vitamina D.

Com relação à diabetes, uma análise sistemática publicada no The Journal of the American Medical Association cita que o cafezinho está associado a um menor risco do desenvolvimento da diabetes tipo 2. Um dos motivos é que a bebida contém anti-oxidantes, que ajudam a controlar o dano causado às células que protagonizam o desenvolvimento da doença.

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Em nota que reúne dados estatísticos de vários estudos, pesquisadores apuraram que pessoas que bebiam de quatro a seis xícaras de café por dia tinham 28% menos chances de desenvolver a doença. Já aqueles que bebiam seis xícaras tinham 35% menos chances.

Já o instituto norte-americano Kaiser Permanente, apontou que o café ajuda a prevenir a cirrose alcoólica, doença crônica do fígado que destrói seu tecido pelo alcoolismo. O estudo reuniu informações de 125.580 pacientes entre 1978 e 1985.

Mais fatores positivos

Pesquisadores do Centro de Transtornos Motores, ligado ao Centro Médico da Duke University da Carolina do Norte (Estados Unidos) afirmaram que membros de famílias afetadas pelo mal de Parkinson que fumam e bebem café em grandes quantidades têm menos chances de desenvolver a doença, apesar desses hábitos serem ruins.

Outro estudo, publicado na revista médica norte-americana Neurology, mostrou que a cafeína pode retardar a deterioração mental em idosas. O efeito foi observado em mulheres com mais de 65 anos que consumiam mais de três xícaras de café por dia, entretanto, vale ressaltar que o resultado não foi positivo entre homens.

Outras pesquisas mostram que o risco cardiovascular pode diminuir com o consumo do café. Após acompanhar, por 15 anos, mais de 27 mil mulheres com idades entre 55 e 69 anos, pesquisadores da Noruega concluíram que as mulheres que bebiam de uma a três xícaras de café ao dia reduziam o risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares em 24% na comparação com aquelas que não consumiam a bebida. Todavia, à medida que a quantidade de ingestão aumentava, o benefício diminuía.