Ministro do Trabalho destaca que governo quer fixar os reajustes do mínimo

Marinho destacou que o salário mínimo atual permite a compra de mais de duas cestas básicas, o que era impossível em 2002

SÃO PAULO – Durante uma exposição sobre o salário mínimo, na Comissão Mista de Orçamento, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, destacou que o governo federal quer criar uma política de estado para a fixação dos reajustes, e não uma política deste governo.

Marinho apontou que, atualmente, 24 milhões de pessoas recebem um salário mínimo na Previdência Social e que, se o reajuste anual não estivesse vinculado ao sistema, a distribuição de renda no país seria mais desfavorável ainda.

“O salário mínimo atual, de R$ 350, permite a compra de mais de duas cestas básicas, o que era impossível em 2002, quando o mínimo permitia a compra de pouco mais de uma cesta”, afirmou o ministro. Para ele, o salário mínimo também ajuda a fixar a política salarial para as outras categorias do país, o que auxilia no processo de distribuição de renda.

Fixação dos reajustes

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Durante a exposição, Luiz Marinho defendeu que a política de reajuste do mínimo precisa levar em conta o equilíbrio das contas públicas e que deve envolver acréscimo sobre o índice de crescimento anual do Produto Interno Bruto (PIB).

Para o economista Flávio Castelo Branco, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), nos últimos 30 anos, o crescimento do salário mínimo ficou abaixo do próprio crescimento da economia.

Segundo ele, quanto mais o mínimo cresce, mais pessoas estarão trabalhando sem carteira assinada, na chamada economia informal. “Com muita gente trabalhando assim, as pessoas e as empresas não prosperam, pois as primeiras ficam sem direito a crédito, o que impede as empresas de prosperarem”.

O representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Roberto Miguel de Oliveira, defendeu a criação de uma mesa permanente de negociação para o salário mínimo. Segundo ele, a entidade é a favor da manutenção do valor do salário mínimo como base de cálculo para os benefícios da Previdência Social.

Com informações da Agência Brasil.