Mínimo: elevação terá impacto psicológico e financeiro sobre população

Professora da FGV afirma que, com elevação, governo tenta disseminar pessimismo que paira sob o Brasil

SÃO PAULO – A elevação de 12,05% no valor do salário mínimo, que resultou em um aumento real (descontada a inflação) de 6,39%, será tão positiva para o psicológico quanto para o bolso do cidadão brasileiro. A opinião é da professora de finanças pessoais da FGV (Fundação Getulio Vargas), Myrian Lund.

“O efeito psicológico desse aumento é fortíssimo. Para quem ganha salário mínimo é uma elevação significativa, apesar de ainda não ser um salário mínimo ideal. Porém, ele traz um ganho real, ou seja, as pessoas têm um reajuste acima da inflação. Com isso, elas conseguem manter a condição de consumir o que consumiam no ano anterior e ainda sobra dinheiro. Isso é muito importante, principalmente em um ano como este, de grande crise financeira e visível elevação do desemprego”, explica.

Orçamento da União x aumento do mínimo

Para Myrian, um dos motivos para que o Governo optasse por manter a elevação prevista para o salário mínimo, mesmo após o corte provisório de R$ 37,2 bilhões no Orçamento Geral da União para este ano, foi mesmo esse efeito psicológico que ela causa e, consequentemente, seus reflexos na economia nacional.

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“Esse é um momento em que o governo está entre a cruz e a espada. Mas, na minha opinião, com essa elevação, ele está querendo disseminar o pessimismo. Então, o que ele está fazendo o tempo todo é tentar trazer o otimismo. Com o aumento, ele mostra que está fazendo sua parte contra a crise, mesmo que seja um dinheiro que está saindo dos cofres públicos em um momento que talvez não seja o ideal”.

A professora afirma ainda, que com a elevação, o governo quer aliviar os impactos negativos da palavra crise. “Os efeitos psicológicos podem afetar muito a economia de um país. A todo minuto se escuta que a crise está ruim e vai piorar, e assim o negativismo acaba se propagando e traz consequências danosas. Por isso, temos visto que o tempo todo o governo está tentando trazer esperança para as pessoas, mostrando que podemos melhorar. Lógico que isso não resolve uma crise, isso não fará o consumo e a economia crescerem, mas com certeza não a piora ainda mais”.

Aumento x poupança

Ainda segundo Myrian, embora fosse mais sensato poupar esse dinheiro a mais, para utilizá-lo em um possível momento de maior dificuldade financeira, ao invés de gastá-lo, esse não será o destino dos novos R$ 50.

“O povo brasileiro não está acostumado a poupar. Ele não tem a percepção de que é necessário preservar. Muitos não se dão conta de que, se pouparem esses R$ 50 por mês, em 20 anos, poderão dar uma entrada de R$ 30 mil em um imóvel próprio, por exemplo”, explica.

O governo, porém, espera mesmo que esse dinheiro seja revertido para o consumo. “Essa é a idéia, porque, ao consumir, o cidadão ajuda a estimular a economia e isso é necessário nesse momento. Eu espero apenas que as pessoas não se endividem demais. Não entrem nos desejos e nesse momento comprem apenas o que é necessário”.