Metodologia avalia se doença é ocupacional; veja como evitar algumas delas

Novo método permite ao perito da Previdência avaliar se doença foi adquirida dentro do ambiente de trabalho

SÃO PAULO – De janeiro a março, a média mensal de emissões de auxílio-doença era de 10.095 pela Previdência Social. A partir de abril, esse número passou para 29.582 casos, o que significa que ele quase triplicou. O aumento, no entanto, não é decorrente da piora das condições de trabalho.

O número subiu porque a Previdência adotou o Nexo Técnico Epidemiológico – criado pela Lei 6.042/07 -, que permite ao perito avaliar se a doença foi adquirida dentro ou fora do ambiente de trabalho. Com isso, muitas das que não eram reconhecidas pelos empregadores tiveram de ser consideradas ocupacionais.

Realidade

A falta de informações sobre os riscos ocupacionais é responsável por lesões em um número de 20 milhões a 80 milhões de trabalhadores da América Latina e Caribe, segundo pesquisa da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

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No Brasil, segundo dados do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), a cada três horas, um trabalhador sofre acidente em seu ambiente de trabalho. Além disso, cerca de 492 mil acidentes ocorrem todos os anos no País.

Dentre as doenças mais freqüentes, de acordo com a Previdência Social, estão a dor lombar baixa, que de 113 casos na média mensal de janeiro a março passou para 1.632 de abril a julho deste ano. Em seguida, estão a dorsalgia, com 1.574 casos mensais no segundo trimestre, a sinovite e tenossinovite, com 1.419 casos.

Como evitar?

Para evitar as doenças e os acidentes de trabalho, é preciso que os funcionários exijam da empresa um ambiente mais seguro e adequado para as tarefas. Os profissionais devem usar suporte de documentos, apoiar os punhos ao digitar, abafar o ruído das impressoras matriciais, utilizar persianas, para reduzir claridade excessiva, e bordas arredondadas nas mesas, além de retirar as gavetas que atrapalham o espaço das pernas sob a mesa.

Os hábitos no ambiente de trabalho podem fazer com que as pessoas desenvolvam doenças sérias, como as de visão, para quem passa muito tempo em frente ao computador.

“Os sintomas mais freqüentes são dores de cabeça, irritação e vermelhidão na vista, sensações de ardor, tremor involuntário das pálpebras e o agravamento de visão em geral”, disse o diretor do Eye Care Hospital dos Olhos, Renato Neves.

Sentar de qualquer jeito ou ficar muito tempo em pé pode causar outros problemas de saúde. O correto é que mesas e cadeiras estejam ajustadas à altura do usuário, permitindo que a coluna permaneça ereta e que a pessoa não precise se curvar.

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O ideal é que o mobiliário tenha espaço livre para permitir o movimento das pernas. Os braços das cadeiras devem ter apoio para os cotovelos e altura adequada. O ambiente, por sua vez, deve ser claro, sem reflexos diretos no computador. Alongue-se freqüentemente. Isso fará com que seus músculos se tornem mais flexíveis e melhorará sua postura e qualidade de vida.