Metade dos jovens está sem emprego; situação piora entre mulheres e baixa renda

Entre 1995 e 2005, de cem pessoas entre 15 e 24 anos que ingressaram no mercado, 45 conseguiram uma vaga

SÃO PAULO – Para mulheres entre 15 e 24 anos, principalmente aquelas que correspondem à parcela de baixa renda da população, arrumar emprego é uma tarefa mais difícil do que para o restante dos trabalhadores. Essas e outras conclusões fazem parte de estudo do economista Marcos Pochman, professor da Universidade de Campinas (Unicamp).

A pesquisa mostrou ainda que, para essa faixa etária, de uma maneira geral, o cenário não vai bem. Menos da metade dos jovens que procuraram emprego entre 1995 e 2005 conseguiu uma colocação.

Colocação e renda

Conforme o levantamento, que utilizou como base dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, no intervalo de dez anos, de cada cem ingressantes no mercado de trabalho dentro dessa faixa etária, 55 não conseguiram uma colocação. Há dois anos, a cada cinco jovens, um estava desempregado. Analisando apenas as mulheres, essa proporção caía para uma em cada quatro.

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Focando o rendimento familiar, entre as famílias de menor poder aquisitivo, com renda mensal inferior a um salário mínimo (R$ 350) por integrante, de cada cem jovens, 74 estavam ativos no mercado; destes, quase 20 não tinham um emprego. Já entre aqueles com maior nível financeiro, com cada integrante recebendo mais do que três salários mínimos mensais (R$ 1.050), de cada cem jovens, 65 estavam ativos e, destes, nove desempregados.

Situação dramática

O economista caracterizou a situação das mulheres como a mais “dramática”. Para se ter uma idéia, entre 1995 e 2005, a taxa nacional de desemprego feminino passou de 14,1% para 25% – representando um aumento de 77,4%.

Ao mesmo tempo, o índice analisado pela ótica do universo masculino passou de 9,7% para 15,3% – o que mostra uma expansão de 57,8%.

Desemprego

“O desemprego cresceu muito mais para os jovens do que para as demais faixas etárias”, explicou o docente no documento de divulgação de seu estudo.

Contextualizando a afirmação, Pochmann afirmou que o crescimento do índice foi de 107% e 90,5%, respectivamente, na comparação entre os dados de 1995 e 2005.

Segundo o economista, para muitas pessoas dentro da faixa etária em questão, a condição de
atividade vem sendo marcada por situações de desemprego recorrente, sem possibilidade de construir uma carreira.

Nível ocupacional

Dentro do período de dez anos analisado, a ocupação total do País apresentou expansão de quase 30%. As vagas correspondentes ao universo de trabalhadores com idade entre 15 e 24 anos foi de 11,1%.

Na avaliação do economista, a situação não foi “mais grave” porque a variação da População Economicamente Ativa juvenil não foi tão intensa como o do conjunto da população, com variação de 22,1% ante 32%.

Em 2005, eram 35,1 milhões de jovens, quase 20% de todos os brasileiros.