Emprego dos sonhos

Mesmo sem resultados expressivos, gestores de Harvard tem salários astronômicos

Entre os 25 executivos da administração de doações mais bem pagos nas universidades privadas mais ricas dos Estados Unidos, dez trabalhavam para a Harvard em 2012.

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São Paulo – Mesmo que o desempenho não seja superior ao de seus principais concorrentes, a Universidade Harvard não pune seus funcionários e manteve os altos salários.

Entre os 25 executivos da administração de doações mais bem pagos nas universidades privadas mais ricas dos Estados Unidos, dez trabalhavam para a Harvard em 2012, o ano mais recente com dados disponíveis, segundo dados compilados pela Bloomberg. A universidade também pagou mais aos gerentes seniores no seu fundo de US$ 32,7 bilhões do que o recebido pelos líderes da gestão de doações de outras universidades, apesar de que os resultados dos seus investimentos tenham sido menores do que os das outras.

 “O custo de administrar recursos através da HMC é uma fração dos gastos em administração externa equivalente”, disse por e-mail Christine Heenan, porta-voz de Harvard. “Assim, Harvard economizou mais de US$ 1 bilhão em custos de administração nos últimos dez anos”.

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Harvard e muitas das instituições mais ricas têm tido problemas para produzir retornos superiores após a crise de crédito, pois os mercados acionários internacionais renderam mais do que os investimentos privados em fundos de aquisições e hedge funds. Embora as universidades contassem com doações para subsidiar até metade dos seus orçamentos operacionais, que ajudam a cobrir o custo da ajuda financeira, das faculdades e da programação, os funcionários seniores devem ser compensados a níveis competitivos em comparação com outros investidores institucionais.

 Uma revisão das últimas declarações fiscais de mais de vinte das universidades privadas mais ricas mostra como Harvard se distingue no que tange à gestão de ativos. A instituição deu à diretora do seu fundo de doações uma compensação inferior à do pessoal sênior que supervisiona investimentos não tradicionais, como hedge funds e recursos naturais. Em todas as outras instituições, o CEO ou a posição equivalente recebeu o maior salário.

Salários competitivos

Harvard pagou mais de US$ 44 milhões a 10 executivos da empresa de gestão em 2012, segundo documentos regulatórios. Andrew Wiltshire, diretor de gestão e chefe de ativos alternativos, obteve uma compensação total de US$ 7,9 milhões, e foi o mais bem pago de todos os gerentes de doações consultados. Álvaro Aguirre-Simunovic, diretor de gestão de recursos naturais, recebeu US$ 6,6 milhões, a segunda cifra mais alta. A Universidade de Yale, que possui o segundo maior fundo de doações, pagou aos dois maiores executivos de investimentos mencionados na sua declaração um total de US$ 5,3 milhões.

Jane Mendillo, CEO da Harvard Management, quem anunciou no mês passado que abandonará o cargo no final do ano, recebeu uma compensação total de US$ 4,8 milhões, a quarta maior em Harvard. Mendillo, 55, sairá após seis anos à frente do fundo de doações e 21 anos na universidade. Ela recebeu US$ 5,3 milhões em 2011, segundo declarações fiscais.

Mendillo foi a segunda líder de fundos mais bem paga, seguida por Scott Malpass, da Universidade de Notre Dame (US$ 4,3 milhões); Andrew Golden, da Universidade Princeton (US$ 3,9 milhões), e John Powers, da Universidade de Stanford (US$ 3,6 milhões).

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Desempenho

O desempenho tem sido um empecilho para Harvard desde que registrou uma perda de 27% dos investimentos em 2009, após a crise do crédito, e sofreu uma queda de mais de US$ 10 bilhões nos seus ativos sob gestão. No ano finalizado em junho de 2012, Harvard perdeu 0,05%, o pior desempenho da Ivy League. O retorno a três anos foi de 10,4%, e de 9,5% a 10 anos, disse a instituição.

Nesta semana, Mendillo disse que ela apoia a estratégia que empregou para administrar o fundo de doações. Em discurso pronunciado numa conferência de investidores institucionais em Nova York, ela disse que a carteira diversificada oferecerá mais valor com o tempo do que uma investida em ações públicas, que recentemente têm produzido os maiores ganhos.

“Não há arrependimentos”, disse Mendillo em resposta a uma questão na conferência. “A exposição diversificada do patrimônio é mais importante. Não temos como prever qual mercado se sairá melhor”.