Mesmo com perda em 2011, salário mínimo tem ganho real de 52,83% desde 2002

Segundo Dieese, aumento real do salário mínimo variou de 1,19% a 13,04%, até 2010; no próximo ano, perda será de 0,55%

SÃO PAULO – No próximo ano, de acordo com o que foi aprovado pelo Congresso Nacional, o salário mínimo será de R$ 540. O valor, considerando a inflação medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no período, representa uma perda de 0,55%.

Apesar disso, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (30) pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), o mínimo acumula ganho real de 52,83% desde 2002.

De acordo com o levantamento, no ano em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu, o brasileiro com menor salário recebia R$ 200 mensais. Em 2003, o reajuste foi de 20%, para uma inflação acumulada de 18,54%, o que deu ao mínimo um aumento real de 1,23%.

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Nos anos seguintes, até este ano, o aumento real do salário mínimo variou de 1,19% a 13,04%, apresentando a primeira perda na passagem de 2010 para 2011, conforme tabela a seguir:

TITULO
PeríodoSalário Mínimo Reajuste Nominal INPCAumento Real
2002R$ 200 
2003R$ 24020%18,54%1,23%
2004R$ 2608,33%7,06%1,19%
2005R$ 30015,38%6,61%8,23%
2006R$ 35016,67%3,21%13,04%
2007R$ 3808,57%3,30%5,10%
2008R$ 4159,21%4,98%4,03%
2009R$ 46512,05%5,92%5,79%
2010R$ 5109,68%3,45%6,02%
2011R$ 5405,88%6,47%-0,55%

Reajuste
O atual modelo de cálculo do reajuste do mínimo leva em conta a correção anual pela inflação mais o percentual de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto). Como o produto interno teve crescimento praticamente nulo no ano passado (0,6%), devido aos efeitos da crise econômica, o salário a entrar em vigor em 2011 apresentará perda frente ao INPC do período.

A fórmula de reajuste do salário mínimo foi acordada em 2007, após negociações entre o governo e as Centrais Sindicais que, em 2004, lançaram a campanha de valorização do salário mínimo, realizando três marchas conjuntas em Brasília com o objetivo de fortalecer, junto ao poder Executivo e Legislativo, a importância social e econômica da proposta de valorização do mínimo.