Mesmo com mercado de trabalho aquecido, brasileiro crê em alta do desemprego

Segundo pesquisa da CNI, 39% disseram que o número de desempregados irá aumentar em seis meses

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SÃO PAULO – Apesar de um cenário favorável no mercado de trabalho, o brasileiro está mais apreensivo em relação ao desemprego.

Segundo pesquisa realizada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), divulgada nesta sexta-feira (25), 39% dos 2.002 entrevistados disseram que o número de desempregados no País irá aumentar nos próximos seis meses, mesmo com as expectativas positivas do mercado.

Além disso, 14% responderam que o desemprego irá aumentar muito, enquanto outros 22% prevêem, para os próximos seis meses, manutenção do quadro de desemprego no Brasil. Os dados são do INEC (Índice Nacional de Expectativa do Consumidor).

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Apenas 22% acreditam que o desemprego irá diminuir, enquanto 3% crêem que esta redução será drástica.

Cenário atual

Apesar da insegurança do brasileiro quanto ao futuro, a verdade é que o nível de emprego está estável, segundo pesquisa realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

De acordo com os dados do IBGE, a taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do País ficou em 7,8% no sexto mês do ano de 2008, o que representa estabilidade em relação a maio (7,9%) e uma diminuição de 1,9 ponto percentual em relação a junho de 2007 (9,7%).

No confronto com maio, todas as seis regiões pesquisadas (Recife, Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Porto Alegre) apresentaram estabilidade.

Percepção versus realidade

Outra prova da apreensão do brasileiro em relação ao desemprego pode ser constatada nos dados do INEC da CNI. No primeiro trimestre deste ano, o índice que mede a expectativa do desemprego havia chegado a 126,2 pontos, ante 120,5 no trimestre seguinte.

O índice é calculado a partir da pergunta sobre a evolução do desemprego: quanto menor ele fica, maior o grau de pessoas apreensivas em relação à falta de emprego. No segundo trimestre do ano passado, a pontuação era 123,8.

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A CNI justifica a maior apreensão do brasileiro por conta do cenário atual de aumento da inflação, que tem feito o Banco Central aumentar a taxa de juros básica, o que desacelera a economia e gera menos empregos.

Mas, na opinião do economista e professor das Faculdades Rio Branco, Carlos Stempniewisk, isso ainda não está acontecendo. Ele explicou que a economia continua avançando, as empresas investindo e, consequentemente, contratando profissionais. “Hoje, as pessoas continuam empregadas e com o salário no fim do mês”, afirmou.