Mesmo com alta de 30% em nove anos, Brasil não está em situação de pleno emprego

Segundo o Ipea, a medição de pleno emprego não considera a situação encontrada fora das regiões metropolitanas

SÃO PAULO – Em nove anos, de 2002 a 2011, o mercado de trabalho nas seis regiões metropolitanas do Brasil cresceu cerca de 30%, ao passar de um total de 17,6 milhões de profissionais para 22,7 milhões.

Mesmo assim, de acordo com análise do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), em seu comunicado de número 135, divulgado nesta quinta-feira (16), o Brasil não se encontra em situação de pleno emprego.

Isso porque, explica a entidade, a medição de pleno emprego não considera, entre outros fatores, a situação encontrada fora das regiões metropolitanas, além do fato de a metodologia aplicada no Brasil ter como modelo as pesquisas aplicadas em mercados de trabalho de países desenvolvidos.

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O trabalho no Brasil
Ainda de acordo com o Ipea, considerando o resultado das seis regiões metropolitanas, o crescimento do mercado de trabalho pode ser explicado pela expansão da economia, que, aliada a outras políticas adotadas pelo governo, possibilitou a geração de novos postos de trabalho.

Assim, avalia o Instituto, a continuação do crescimento econômico deve contribuir para que o mercado de trabalho se fortaleça no Brasil.

“A manutenção de uma trajetória de crescimento econômico sustentado é condição importante e necessária, mas não suficiente para que a taxa de desemprego continue se reduzindo no Brasil e também para minimizar as fissuras na estrutura do emprego nacional”, diz o relatório.

No que diz respeito aos salários, o Ipea afirma que houve ganhos reais em alguns setores da economia, sendo que o crescimento econômico, que esteve acima da média histórica dos anos 1990, pode explicar o fenômeno.

Por fim, ressalta a entidade, vale lembrar que cerca de 70% dos postos de trabalho gerados pelo setor formal do mercado de trabalho brasileiro se encontra na faixa de até dois salários mínimos, sendo que, no Brasil, ainda é muito expressiva, considerando os padrões internacionais, a participação do emprego doméstico no conjunto das ocupações, atingindo cerca de 7%.